Ex-chefe da “CIA Brasileira” é preso nos EUA pelo ICE
Mário Agra/Câmara dos Deputados

Ex-chefe da “CIA Brasileira” é preso nos EUA pelo ICE

Alexandre Ramagem, condenado a 16 anos por participação na tentativa de golpe de Estado de 2023, fugiu para os Estados Unidos logo após a sentença. Agora foi preso por infração de trânsito.
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Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, equivalente local da CIA, foi preso em Orlando, na Florida, pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA (ICE), informou a polícia federal do Brasil (PF). Ramagem, ex-deputado, foi condenado em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado de 2023 liderada por Jair Bolsonaro, quando escapou pela fronteira do Brasil com a Guiana para os Estados Unidos, país onde se encontrava foragido desde então.

O Ministério da Justiça brasileiro requereu um pedido de extradição formal em janeiro, altura em que Alexandre de Moraes, o juiz do STF que relatou o caso, pediu para incluir Ramagem na lista da Interpol, expediente que viabiliza a possibilidade de ser detido por autoridades estrangeiras. 

O ex-chefe da “CIA brasileira” foi detido, segundo o ICE, por questões migratórias mas a detenção ocorreu por uma pequena infração de trânsito, informou Paulo Figueiredo, jornalista aliado de Ramagem radicado nos EUA e neto de João Batista Figueiredo, último presidente do país na ditadura militar. 

“A prisão é fruto da cooperação internacional Brasil-Estados Unidos no combate ao crime organizado. Ramagem é um cidadão foragido da justiça brasileira e, segundo autoridades norte-americanas, está em situação migratória irregular”, resumiu Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. 

A investigação localizou o veículo usado por Ramagem para ir buscar a mulher ao aeroporto de Orlando, dado considerado essencial para a detenção.

Agora, um juiz da Florida vai decidir se deporta Ramagem para o Brasil ou se ele terá asilo político acatado, conforme pedido pela defesa do próprio.

Entre as reações na política brasileira, destaque para a de Eduardo Bolsonaro, também radicado nos EUA e com o mandato de deputado suspenso. Segundo o terceiro filho de Bolsonaro, “há boa expectativa” de que o aliado “seja solto e continue respondendo ao pedido de asilo em liberdade”. Para o senador Jorge Seif, do PL, de Bolsonaro, o detido “é um perseguido político” e sublinhou que “[o presidente dos EUA] Donald Trump sabe que existe uma caça às bruxas no Brasil”. 

Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT, o partido de Lula da Silva, lembrou que “essa turma que adora Trump está sentindo agora na pele o que é um governo autoritário e de extrema-direita”. “Fugiu do Brasil para escapar da justiça mas acabou detido no país que tanto idolatrava”, completou o deputado Pedro Uczai, também do PT.     

Delegado de polícia de formação, Ramagem aproximou-se de Bolsonaro na altura do atentado que o então candidato a presidente sofreu em 2018, numa facada durante comício em Juiz de Fora. Com Bolsonaro no poder, foi nomeado diretor do serviço de inteligência brasileiro e, depois, eleito deputado pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2022. Em 2024, foi o segundo mais votado na corrida a prefeito do Rio nas eleições municipais.

No ano passado foi incluído no chamado “núcleo essencial” da tentativa de golpe e condenado a pena de prisão efetiva em setembro. Logo depois foi visto em Orlando, para onde escapara via fronteira entre o estado brasileiro de Roraima e a Guiana. Em dezembro, a Câmara dos Deputados suspendeu o mandato, bloqueou o vencimento e cancelou o passaporte diplomático do foragido. 

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