Os Estados Unidos enviaram uma “mensagem privada” ao Irão, soube-se pela boca do seu presidente no mesmo dia em que as suas forças voltaram a atacar alvos militares dos Houthis, o grupo xiita armado que tomou parte do Iémen com o patrocínio de Teerão, e que desde novembro tem atacado navios entre o Mar Vermelho e o golfo de Aden, seja através da tomada dos mesmos seja com o disparo de munições e de drones de ataque..Uma base militar perto da capital do Iémen, Saná, foi alvo de bombardeamentos norte-americanos nas primeiras horas de sábado. Os mísseis foram lançados do destroyer USS Carney e enquadram-se no que as forças norte-americanas chamaram de “ação de continuidade” contra um alvo militar específico”, no caso radares. Horas depois a AFP, citando fontes locais, afirmou que a cidade portuária de Hodeida também foi alvo de um ataque em resposta ao lançamento de foguetes. .Nas primeiras horas de sexta-feira, forças norte-americanas e britânicas atacaram mais de 60 alvos dos Houthis com o objetivo de impedir os ataques que põem em causa a segurança dos navios e, em última análise, são um obstáculo ao comércio marítimo. O ataque de sábado deu-se depois de a Marinha norte-americana ter avisado os navios com bandeira dos EUA para se manterem afastados da região durante 72 horas. Até porque os Houthis prometeram de imediato retaliar, o que voltaram a fazer no sábado..O presidente dos EUA, Joe Biden, disse ter enviado uma mensagem aos patrocinadores dos Houthis, o Irão. “Transmitimo-la em privado e estamos confiantes de que estamos bem preparados”, disse aos jornalistas, ao sair da Casa Branca..O enviado especial das Nações Unidas para o Iémen mostrou-se preocupado com os recentes acontecimentos das últimas horas. Em comunicado, Hans Grundberg apelou para que as partes deem “prioridade aos canais diplomáticos em detrimento das opções militares e apela ao desanuviamento”..Manifestações em Israel Na véspera dos cem dias da guerra Israel-Hamas, o exército israelita confirmou ter realizado ataques em Khan Yunis, a principal cidade do sul da Faixa de Gaza, bem como no centro do enclave, onde reivindicou ter desmantelado dezenas de lança-foguetes..Em Rafah, junto à fronteira com o Egito, o exército israelita anunciou uma “suspensão tática temporária das atividades militares para fins humanitários” depois de uma noite de bombardeamentos. As autoridades de saúde do Hamas dizem que os mais recentes ataques mataram mais 135 palestinianos numa lista com quase 24 mil nomes. .Em Israel, aos 1140 mortos nos ataques terroristas de 7 de outubro juntam-se 187 militares. As famílias das vítimas e dos mais de cem reféns marcaram a data com manifestações em Telavive e Haifa que juntaram multidões a exigir a libertação dos cativos e a demissão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu..Este, em declarações numa base militar em Telavive, mostrou-se indiferente às pressões internas e externas. “Estamos a caminho da vitória e não vamos parar enquanto não a alcançarmos. Não faremos concessões e não pararemos”, assegurou. Também rejeitou as acusações de “atos genocidas” por parte de África do Sul, que pediu no Tribunal Internacional de Justiça a suspensão da guerra em Gaza. “Ninguém nos vai parar. Nem Haia, nem o eixo do mal, ninguém.”.“A morte em massa, a destruição, o desalojamento, a fome, a perda e o luto dos últimos 100 dias estão a manchar a nossa humanidade partilhada”, assinalou o chefe da agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA), Philippe Lazzarini, num comunicado em que não esqueceu os reféns e as suas famílias. .cesar.avo@dn.pt