A administração norte-americana instruiu as embaixadas dos Estados Unidos para tentarem persuadir países aliados a juntarem-se a uma coligação internacional no sentido de garantir a segurança do estreito de Ormuz, noticiou esta quinta-feira, 30 de abril, o Wall Street Journal.O jornal norte-americano, citando um telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, revelou a existência de um projeto denominado "Mecanismo de Liberdade Marítima", através do qual uma coligação liderada por Washington partilharia informações, coordenaria esforços diplomáticos e aplicaria sanções.O estreito de Ormuz, por onde transita normalmente um quinto dos hidrocarbonetos do mundo, continua sujeito a um duplo bloqueio imposto pelo Irão e pelos Estados Unidos..EUA reivindicam bloqueio de 42 navios no Estreito de Ormuz. Um alto funcionário norte-americano indicou na quarta-feira que a Casa Branca estava a considerar "manter o atual bloqueio durante meses, se necessário", uma vez que as negociações estão paralisadas.De acordo com o documento oficial publicado esta quinta-feira pelo Wall Street Journal a participação de países aliados no projeto norte-americano pode fortalecer "capacidades coletivas" no sentido de restaurar a liberdade de navegação e de proteger a economia global.A ação coletiva é tida por Washington como essencial, particularmente para "impor custos significativos à obstrução do Irão ao trânsito pelo Estreito".O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, instou os aliados europeus a intervir na região no final de março.O Chefe de Estado norte-americano disse que era lamentável que a Aliança Atlântica "tenha virado as costas aos norte-americanos".Os preços do petróleo subiram esta quinta-feira para mais de 125 dólares por barril..Preço do petróleo Brent atingiu os 126 dólares por barril . Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva aérea de grande escala contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro. .Presidente iraniano prevê fracasso do bloqueio naval norte-americanoO Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, previu esta quinta-feira, 30 de abril, que o bloqueio dos Estados Unidos aos portos do seu país está "condenado ao fracasso" e avisou que só irá agravar a instabilidade no Golfo Pérsico."Todas as tentativas de impor um bloqueio marítimo são contrárias ao direito internacional (…) e estão condenadas ao fracasso", declarou Massoud Pezeshkian em um comunicado, depois de um alto funcionário da Casa Branca ter mencionado uma possível extensão do bloqueio "por vários meses".Embora estas declarações tenham contribuído para a subida dos preços do petróleo, o Presidente iraniano defendeu que tais medidas de bloqueio "não só deixam de melhorar a segurança regional, como constituem uma fonte de tensão e uma perturbação para a estabilidade a longo prazo do Golfo".Apesar de um cessar-fogo estar em vigor desde 08 de abril, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos desde 13 de abril. Nestas circunstâncias, as forças armadas iranianas decidiram manter o controlo sobre o estreito de Ormuz, por onde, antes do conflito, passava um quinto da produção de petróleo do mundo..Trump rejeita proposta do Irão e mantém bloqueio naval até haver acordo nuclear. "Não toleraremos o bloqueio naval. Se continuar, o Irão retaliará", advertiu na quarta-feira Mohsen Rezaei, antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária, nomeado em março conselheiro militar do novo líder supremo Mojtaba Khamenei.Rezaei alertou ainda contra o regresso das hostilidades entre o Irão e os Estados Unidos, que poderia resultar no afundamento de navios norte-americanos e na morte ou captura de numerosos soldados inimigos.Um alto funcionário da Marinha iraniana mencionou o destacamento, "num futuro muito próximo", de armamento naval recentemente desenvolvido.O ministro do Petróleo iraniano, Mohsen Paknejad, por sua vez, desvalorizou o impacto do bloqueio liderado pelos EUA, afirmando que "não produzirá resultados"."Os funcionários da indústria petrolífera estão a trabalhar incansavelmente para garantir o fornecimento contínuo", disse Paknejad.