Os Estados Unidos têm mantido negociações regulares com a Dinamarca para expandir a sua presença militar na Gronelândia, conversações que têm avançado nos últimos meses, noticiou esta terça-feira, 12 de maio, a BBC, citando várias autoridades familiarizadas com as discussões. Atualmente, as forças militares norte-americanas têm uma base na ilha. De acordo com as mesmas fontes, a Casa Branca pretende abrir três novas bases no sul da Gronelândia, ao mesmo tempo que estão a trabalhar para sanar a crise diplomática desencadeada por Donald Trump e as suas ameaças em anexar a região semiautónoma da Dinamarca. O presidente dos Estados Unidos chegou a dizer que iria controlar a Gronelândia “de uma maneira ou de outra”, tendo mesmo ameaçado oito países europeus com tarifas comerciais de 10% a partir de 1 de fevereiro. Mas acabou por recuar depois de, no final de janeiro, ter acordado com o secretário-geral da NATO o “quadro de um futuro acordo” sobre o território dinamarquês e a região do Ártico, segundo anunciou o líder norte-americano na Truth Social após um encontro com Mark Rutte no Fórum Económico Mundial.Foi na base deste entendimento que começaram as negociações entre EUA, Dinamarca e Gronelândia, reuniões que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse ainda em janeiro querer que fossem regulares e discretas, “de forma a que não se transforme num circo mediático”. Desde o início do ano terão ocorrido já cinco rondas de negociações.Uma fonte com conhecimento das negociações referiu à BBC que os Estados Unidos pretendem que as três novas bases militares sejam designadas como território soberano norte-americano e que o seu objetivo principal será a vigilância de possíveis atividades marítimas russas e chinesas numa zona do Atlântico Norte entre a Gronelândia, a Islândia e o Reino Unido.Falando esta terça-feira na Cimeira da Democracia de Copenhaga, o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, adiantou que as negociações com os Estados Unidos “deram alguns passos na direção certa”, sublinhando que o aumento da presença militar norte-americana faz parte das conversações..“Não haveria qualquer argumento legal a favor do que os EUA se estão a propor fazer em relação ao Ártico”.“A NATO precisa de se tornar mais europeia para manter a sua força”