EUA e Arábia Saudita assinam acordo de "cooperação nuclear pacífica"
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita chegaram a um acordo para “cooperação nuclear pacífica”, anunciou o Departamento de Energia dos EUA na quarta-feira, dia 22 de julho.
Numa declaração partilhada na rede social X, o departamento norte-americano fala num acordo bilateral que estabelece “as bases jurídicas para uma parceria de várias décadas, no valor de vários milhares de milhões de dólares, que promove vários objetivos económicos e estratégicos prioritários, incluindo a não proliferação nuclear”.
Este acordo, explica ainda, “proporciona um excelente acesso às empresas americanas no âmbito do programa de energia nuclear da Arábia Saudita, beneficiando a indústria, os trabalhadores e as cadeias de abastecimento americanas, ao mesmo tempo que contribui para satisfazer as necessidades energéticas da Arábia Saudita”.
Como explica a Sky News, isto pode mesmo significar que a Arábia Saudita passa a ter a capacidade de enriquecer urânio para o seu programa nuclear, sendo que terá ainda de ser discutido no Congresso dos EUA, que tem 90 dias para apresentar uma eventual oposição.
O jornal The Guardian noticia que este acordo se enquadra nos planos da Arábia Saudita de mudar a produção energética do país para a energia nuclear, de modo a libertar mais petróleo para exportar -- um dos principais bens exportados pelo país.
O anúncio deste acordo surge no meio do conflito entre Washington e Teerão, impulsionado por um desacordo entre os países sobre um novo acordo nuclear que os EUA querem impor ao Irão.
Para a Casa Branca, o principal receio é que o Irão procure o desenvolvimento de armas nucleares caso se mantenha este programa. Ora, como referiu o The Guardian, os grupos anti-proliferação de armamento nuclear têm a mesma preocupação quanto à Arábia Saudita e que este acordo agora atingido com Riade sirva para facilitar o país a chegar a uma arma nuclear.
Falando aos jornalistas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou essa possibilidade. "Os EUA não vão chegar a nenhum acordo com nenhum país do mundo que implique o risco de proliferação", disse o responsável nas Filipinas na passada terça-feira, citado pela ABC News.
