EUA atingiram durante a noite 90 alvos militares iranianos. Ataques dos últimos dois dias fizeram 14 mortos, diz Teerão
Abedin Taherkenareh/EPA

EUA atingiram durante a noite 90 alvos militares iranianos. Ataques dos últimos dois dias fizeram 14 mortos, diz Teerão

Ataques norte-americanos da última noite visaram "sistemas de defesa aérea", "locais de armazenamento de mísseis e drones", bem como "capacidades navais e infraestruturas logísticas militares ao longo da costa do Irão", segundo as forças do Comando Central dos EUA.
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Na última noite, as forças norte-americanas atingiram cerca de 90 alvos militares iranianos, segundo indicou na madrugada desta quinta-feira, 9 de julho, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM). Foi a segunda noite consecutiva de ataques dos EUA contra o Irão, já depois de Donald Trump ter considerado que o cessar-fogo acordado entre os dois países tinha chegado ao fim.

Até ao momento, pelo menos 14 pessoas morreram e 78 ficaram feridas nos ataques norte-americanos dos últimos dois dias, de acordo com o Ministério da Saúde iraniano.

"Dos feridos, 47 ainda estão hospitalizados", indicou o porta-voz do ministério, Hossein Kermanpour.

A segunda ronda de ataques dos EUA teve como objetivo "enfraquecer ainda mais a capacidade do Irão de atacar a navegação comercial e marinheiros civis inocentes no estreito de Ormuz", explica o Comando Central norte-americano.

A ação militar visou "sistemas de defesa aérea", "meios de vigilância costeira", "locais de armazenamento de mísseis e drones", bem como "capacidades navais e infraestruturas logísticas militares ao longo da costa do Irão", segundo as forças norte-americanas.

Já na noite de terça para quarta-feira, os EUA atingiram cerca de "80 alvos militares iranianos", incluindo "60 pequenas embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica". Os ataques foram uma resposta da administração de Donald Trump por considerar que o Irão violou o cessar-fogo ao atacar três navios comerciais que navegavam no estreito de Ormuz.

Teerão fala em "crime de guerra flagrante"

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) iraniano condenou "veementemente os ataques agressivos" dos EUA. "Tiveram como alvo vários locais nas províncias costeiras do sul, bem como duas pontes nas províncias orientais ao longo da linha ferroviária que conduz à cidade sagrada de Mashhad", onde decorrem as cerimónias fúnebres do antigo Líder Supremo Ali Khamenei.

"Estas ações constituem, sem dúvida, um crime de guerra flagrante", considerou o MNE iraniano.

Após a nova ação militar norte-americana contra Irão, o Bahrein fez saber que intercetou vários ataques iranianos.

Em comunicado, citado pela agência de notícias Anadolu, as Forças de Defesa do Bahrein afirmaram que os sistemas de defesa anti aérea "interceptaram e destruíram com sucesso diversos ataques aéreos iranianos traiçoeiros" na madrugada desta quinta-feira.

Recorde-se que no Bahrein está localizada Base Naval da Quinta Frota dos Estados Unidos.

De acordo com a BBC, a Guarda Revolucionária do Irão confirmou ataques de retaliação contra bases militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein durante a última noite. Tratou-se da "primeira fase da resposta punitiva contra os americanos que violam tratados", considerou a Guarda Revolucionária iraniana.

Os Estados Unidos "ainda não aprenderam que a intimidação e o incumprimento de promessas já não saem impunes", declarou o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em reação à segunda noite consecutiva de ataques dos EUA contra o país.

O também chefe da equipa diplomática iraniana, nas negociações com os EUA, deixou uma ameaça na mensagem que publicou nas redes sociais: "Deixem-me ser claro: se atacarem, serão atacados".

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