Uma imagem de outros tempos: navios das forças dos EUA a atravessar o estreito de Ormuz, há três anos.
Uma imagem de outros tempos: navios das forças dos EUA a atravessar o estreito de Ormuz, há três anos.Relações Públicas do Comando Central das Forças Navais dos EUA

EUA e Irão trocam ataques, mas Trump não crê no regresso à guerra

Presidente norte-americano insulta liderança de Teerão e abre porta a renovadas ações militares contra alvos iranianos, embora não acredite que a atual escalada vá resultar numa nova guerra.
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Donald Trump e o regime iraniano não rasgaram o memorando de entendimento, apesar dos ataques mútuos das últimas horas e da confrontação verbal. Depois de ter dito que, pela sua parte, o documento que subscreveu há três semanas com o presidente iraniano “está acabado”, o presidente dos EUA disse que as negociações podem prosseguir e acredita que a atual escalada não vá degenerar de novo numa guerra.

“Não penso que vá começar novamente. Penso que vai acabar muito rapidamente. Eles atingiram alguns navios, e nós retaliámos muito mais fortemente”, comentou Trump durante a conferência de imprensa no final da cimeira da NATO, em Ancara. “O que quer que aconteça será resolvido muito rapidamente, e só tornaremos a situação mais segura, inclusive no que diz respeito ao petróleo.” Estas declarações vieram no seguimento de uma série de outras, nas quais o presidente dos Estados Unidos mostrou-se em rutura para com o processo diplomático em pausa devido às cerimónias fúnebres de Ali Khamenei. Chamou os dirigentes iranianos de “pessoas más e doentes”, descreveu-as como “escória” e comparou-as a um cancro que tem de ser erradicado.

Tudo isto porque o Irão atacou três navios na terça-feira, o que levou a uma resposta dos EUA contra 80 alvos militares, incluindo na ilha de Kherg. As forças iranianas, por sua vez, retaliaram alvejando bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico. “Eles estão a comportar-se muito mal”, disse um agastado Trump.

Questionado sobre a sua mudança de ideias quanto aos novos dirigentes em Teerão — de “pessoas muito racionais” passaram a “escória” —, explicou: “Com base nas ações deles na última semana ou duas, não estão a trabalhar em prol do povo. Acabei por conhecê-los e não tenho a certeza se quero fazer um acordo com eles.”

Em Teerão, a retórica é cada vez mais inflamada, sabendo que o presidente dos EUA está pressionado internamente a não retomar uma guerra impopular. Além de terem ameaçado levar o conflito até ao Mar Vermelho e de paralisar o fluxo global do petróleo, uma fonte iraniana disse à PressTV que as ordens atuais são encerrar o estreito de Ormuz e retaliar numa proporção de dois por um, ou seja, cada alvo iraniano atingido significa que dois alvos inimigos serão atacados.

Beirute exige progressos

O governo libanês quer que Israel se retire de duas “zonas piloto” do sul do seu país antes da próxima ronda de negociações diretas, marcadas para Roma, na próxima semana. Segundo uma fonte diplomática libanesa citada pela AFP, “o Líbano está a condicionar a sua participação na ronda de negociações à retirada de Israel das duas zonas piloto”.

Questionado a este propósito, o presidente dos Estados Unidos - que vinculou a cessação de hostilidades entre Israel e Hezbollah a um potencial acordo global com o Irão no memorando de entendimento — disse acreditar que as forças israelitas vão retirar-se do Líbano. “Conversei com o Bibi [Netanyahu] sobre isso. Acho que vão. Acho que querem. Estão a dar-se bem com o Líbano, estão a assinar acordos com o Líbano”, disse Donald Trump, à margem da cimeira da NATO, em Ancara.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu tem insistido que as forças armadas do seu país vão permanecer no Líbano até que o Hezbollah, o partido-milícia apoiado pelo Irão, seja desarmado na totalidade. Os confrontos entre as partes prosseguem. Na quarta-feira, o exército israelita disse ter abatido um elemento da força de elite do Hezbollah, Radwan, e capturado outro, na localidade libanesa de Bint Jbeil. E, segundo a agência noticiosa libanesa, duas pessoas foram mortas na sequência de um ataque de drone junto de um hospital no sul do Líbano.

Três semanas de um frágil entendimento

17 de junho

Os presidentes Trump e Pezeshkian assinam um memorando de entendimento de 14 pontos que suspende as operações militares para se negociar um acordo de paz em 60 dias.

19 de junho

Confrontos entre Israel e o Hezbollah põem em causa o memorando, avisa Teerão ao lembrar que o documento exige parar as operações militares “em todas as frentes, incluindo o Líbano”.

20 de junho

Irão acusa EUA de não cumprir as partes do acordo relacionadas com o estreito de Ormuz.

25 de Junho

Navio porta-contentores Ever Lovely, com bandeira de Singapura, é atingido por um “projétil desconhecido” enquanto passa pelo estreito de Ormuz, perto de Omã.

26 e 27 de junho

EUA acusam o Irão de violar o cessar-fogo e lançam ataques a infraestruturas militares iranianas, instalações de drones, sistemas de vigilância e defesas aéreas. Por sua vez, Teerão também acusa os Washington de violar o memorando de entendimento.

28 de junho

Os EUA lançam mais ataques a alvos militares iranianos depois de Trump dizer que Teerão violou o acordo de novo. O Irão responde com ataques de mísseis e drones contra o Bahrein e o Koweit.

7 de julho

Os Guardas da Revolução disparam contra dois navios comerciais a atravessar o estreito de Ormuz e um petroleiro é atingido junto da costa de Omã. Em resposta, o Comando Central dos EUA lança nova ronda de ataques a mais de 80 alvos.

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