O cenário era negativo, mas estava a desanuviar: o Fundo Monetário Internacional (FMI) revelou esta quarta-feira (8 de julho) novas previsões para as grandes economias e, apesar destas não serem as melhores, notou que, reforçados pelo pré-acordo de cessar fogo celebrado entre os EUA e o Irão em maio, "os riscos para as perspetivas económicas estão mais equilibrados do que em abril, embora continuem inclinados para o lado negativo".Durou pouco. Terça à noite, o cessar fogo foi violado e, nesta mesma quarta-feira de manhã, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que o pré-acordo "acabou".Foi o bastante para o preço de referência do petróleo Brent (futuros) disparar, tendo superado os 80 dólares durante a sessão, a terceira maior subida diária (quase 8%) desde que a guerra contra o Irão começou, no final de fevereiro.Depois corrigiu para 78 dólares, mas o mal estava feito e acabou por abafar bastante o sinal de esperança que o FMI estava a tentar passar relativamente aos perigos, a uma eventual Com o petróleo a galgar novamente, esta quarta acabou por confirmar os piores receios: que a incerteza está para durar e que os múltiplos avisos ainda constam da atualização intercalar das "Perspetivas Económicas Mundiais" (outlook), do FMI, continuam atuais.De acordo com a nova avaliação da instituição sediada em Washington, "o risco mais iminente para o cenário de referência decorre da evolução da situação no Médio Oriente" e "o reacendendimento das tensões geopolíticas prejudicará o crescimento económico e agravará as pressões inflacionistas".Antes de o cessar-fogo ter sido anunciado em direto para todo o mundo a partir da cimeira da NATO, em Ancara, na Turquia, o FMI ainda assumia que "a reabertura do Estreito de Ormuz possa decorrer de forma mais tranquila do que o pressuposto no cenário de referência", com os preços das matérias-primas a ficaram "mais baixos do que o previsto". Neste cenário, "o crescimento poderá ser mais forte e a inflação mais baixa".Só que não. O FMI também não ignorou o risco elevado disso acontecer. "Um recrudescimento do conflito faria sentir os seus efeitos através de um novo aumento dos preços das matérias-primas, bem como de uma volatilidade prolongada, escassez de oferta e pressões cambiais", avisa a atualização do outlook.Os danos já provocadosMesmo com alguns sinais menos sombrios, as previsões mais recentes do FMI mostram, claramente, os danos que esta guerra e incerteza já causaram.Começando pelo quadro maior. A economia mundial deverá crescer cerca de 3% em termos reais este ano, menos uma décima do que se previa em abril, revela o Fundo. Será o pior registo desde o primeiro ano da pandemia, desde 2020, mostram as séries da instituição sediada em Washington.Segundo vários economistas e os históricos do próprio Fundo, um crescimento global deste calibre, na fasquia dos 3%, pode ser considerado valor limiar, a caminho de uma nova recessão, tendo em conta as séries do FMI.A degradação do panorama em 2026 acontece porque, apesar dos riscos negativos terem recuado "ligeiramente" face a abril (mês do outlook precedente), algumas potências mundiais continuaram a perder força (caso dos maiores países europeus, do Japão, do Canadá, do México), diz o FMI.Além disso, os Estados Unidos, a maior economia global, ajudaram pouco ou nada a contrariar o arrefecimento geral – o crescimento norte-americano ficou na mesma face há três meses, perto 2%.Bem pior está o conjunto dos 21 países da Zona Euro. O FMI avançou com uma nova despromoção do crescimento previsto, cortando duas décimas. Assim, em 2026, a região da moeda única deve crescer apenas 0,9%, menos de metade do ritmo do seu grande concorrente que são os EUA.E assim é porque as piores notícias neste outlook parecem vir mesmo da Europa, por exemplo.A maior economia do Velho Continente, a Alemanha, já só deve crescer 0,7% em 2026, menos uma décima do que se estimava em abril, diz agora a instituição dirigida por Kristalina Georgieva.França, a segunda maior economia europeia, sofre a maior revisão em baixa do grupo dos grandes países desenvolvidos (menos 0,3 pontos percentuais) e só cresce 0,6%.Itália, o terceiro maior mercado europeu, já estava mal e assim ficou, com o Fundo a prever uma recuperação irrisória de apenas 0,5% este ano.Para Portugal, onde o FMI prevê um crescimento ainda aceitável na ordem dos 1,7% este ano, são más notícias pois Alemanha, França e Itália valem, anualmente, quase 30% das exportações portuguesas. É uma faturação de quase 80 mil milhões de euros anual que fica exposta a uma deterioração da conjuntura.Estes três países também são investidores muito importantes na economia, sobretudo França e Alemanha, segundo dados do Banco de Portugal..FMI vê de novo o mundo à beira da recessão e grandes economias europeias quase estagnadas.Fórum BCE. FMI aponta para riscos da IA: se não for uma bolha, pode ser um problema de dívida.FMI. Seis das oito maiores ameaças à economia devem concretizar-se e causar danos relevantes.FMI pede fim dos apoios aos jovens na habitação e no IRS e quer nova reforma das pensões.FMI vê crescimento português a perder força, contas públicas equilibradas e perigos "elevados" na habitação.FMI apoia governo na PSU, pede nova reforma das pensões e mais limites nas pensões por viuvez.FMI pede a governos que estudem já fim de apoios aos combustíveis porque este choque pode não ser temporário