Estabilização do fogo na região de Madrid permite regresso de populações a casa. Grande incêndio perto de Bordéus estável
Os incêndios na região de Madrid continuam em fase de estabilização e esta segunda-feira, 27 de julho, serão retomados serviços públicos de autocarro nas zonas afetadas, assim como permitidos regressos a casa de pessoas que permanecem desalojadas, disseram as autoridades.
"Noite de intenso de trabalho para avançar com a estabilização do incêndio", disse o serviço de proteção civil da Comunidade de Madrid (governo regional), numa informação divulgada às 08:00 locais (07:00 em Lisboa).
As autoridades alertaram que as previsões para o vento, com rajadas que podem alcançar 30 quilómetros por hora, "complicarão os trabalhos de extinção esta segunda-feira", depois de terem sido controladas as frentes do incêndio durante o fim de semana.
Espanha, recorde-se, declarou a situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo, no centro do país, por causa dos fogos florestais, que levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira e já queimaram 77.000 hectares.
Devido à evolução favorável do combate aos incêndios na serra oeste de Madrid, esta segunda-feira poderão regressar a casa as pessoas que foram retiradas de várias localidades, incluindo os idosos de um lar, será reaberto um campo de campismo e retomada pelo menos uma linha de autocarro interurbano, segundo a Delegação do Governo de Espanha na Comunidade de Madrid.
"Temos boas previsões para continuarmos a trabalhar, a arrefecer, a conter e a extinguir o incêndio, e prevemos que amanhã [hoje], apesar de as temperaturas subirem, também haverá boas condições para tentarmos vencer este incêndio", disse no domingo à noite o delegado do Governo em Madrid, Francisco Martín.
Além destes fogos em Ávila, Madrid e Toledo - que estão a ser combatidos como se fossem um só, por estarem em territórios vizinhos -, as autoridades espanholas estão a alertar para a evolução de um incêndio em Vall d'Uixó, Castellón, na região de Valência, no leste do país, que já levou a retirar de casa 16.000 pessoas e já queimou 6.500 hectares.
Estão hoje a combater este incêndio 30 meios aéreos, segundo o governo regional de Valência.
O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, visita hoje de manhã a zona deste incêndio de Castellón, depois de no fim de semana ter estado em Madrid e em Ávila, onde voltou a apelar a um "pacto de estado contra as alterações climáticas".
Segundo o Governo de Espanha, já arderam este ano mais de 150.000 hectares no país e há registo de 32 grandes fogos florestais desde janeiro, multiplicando seis vezes os números do mesmo período de 2025.
Por outro lado, o incêndio de Ávila, que queimou perto de 50.000 hectares, é já o maior fogo florestal da história recente de Espanha, segundo o executivo.
Regresso a casa ainda é incógnita em França
Em França, o fogo de grandes proporções perto da cidade de Bordéus, que obrigou à retirada de 220 mil pessoas, manteve-se estável durante a noite, segundo disseram as autoridades locais que mantêm as operações no local.
"A situação manteve-se globalmente estável durante a noite, sem alterações significativas a relatar. As equipas de emergência e de segurança continuam totalmente mobilizadas e prosseguem as operações no terreno", disse a Câmara Municipal de Gironde, no sudoeste de França, à imprensa local por volta das 06:00 (05:00 em Lisboa).
Mesmo assim, a situação representa uma melhoria em relação às duas noites anteriores, que foram extremamente difíceis para os serviços de emergência, principalmente devido à formação de nuvens provocadas pelo aquecimento da atmosfera.
A Câmara Municipal alertou, no domingo, que as pessoas retiradas dos locais de residência devido ao incêndio que começou na quarta-feira na região turística da Baía de Arcachon não podem regressar a casa até que o fogo seja contido.
Cerca de 3.000 portugueses e lusodescendentes transferidos em França
Dessas pessoas retiradas de casa cerca de três mil são portugueses e lusodescendentes, segundo disse à Lusa o conselheiro português Filipe Dantas. Trata-se de pessoas que residem essencialmente em Le Porge, uma comuna francesa na Gironda, onde o fogo queimou várias casas, mas também em Ares, Marcheprime, Mios, Cestas, Biscarrosse, Le Haillan e Saint-Médard-en-Jalles.
Estes portugueses e lusodescendentes foram transferidos para o Centro de Exposições de Bordéus.
Filipe Dantas afirmou que, para já, não há registo de vítimas e que os danos materiais não estão contabilizados.
Disse ainda que as autoridades portuguesas têm seguido a situação e que já foi contactado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa. O consulado português em Bordéus também tem acompanhado o fogo e o impacto na comunidade, disse.
A data sobre o regresso das populações é imprevisível de determinar até porque são esperadas temperaturas que podem rondar os 40 graus celsius a partir de terça-feira na região.
"Tivemos uma trégua, mas há o receio de que o incêndio possa voltar a agravar-se", disse Philippe de Gonneville, presidente da Câmara de Lège-Cap Ferret, um dos municípios mais atingidos, ao canal de televisão BFM, alertando que "as próximas horas vão ser decisivas".
No ponto mais oriental, o incêndio atingiu um local a apenas 15 quilómetros de Bordéus durante o fim de semana, embora as autoridades tenham declarado que a cidade não está sob ameaça.
No total, este ano foram já queimados em França 115 mil hectares de terrenos, um máximo histórico, confirmou o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, na última noite.
O ministro especificou que o país enfrenta entre 30 a 40 incêndios simultâneos por dia.
Além do incêndio em Gironde, o mais preocupante, também estão ativos grandes incêndios em Var, Landes e Córsega, entre outras regiões.
Em Landes, perto de Gironde, a Câmara Municipal reportou uma noite "relativamente calma" graças a algumas chuvas.
Em Var, por outro lado, os esforços de combate ao incêndio estão a ser dificultados por mudanças repentinas na direção do incêndio e por novos focos.
Hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, vai presidir a uma reunião de crise para avaliar a situação dos incêndios florestais — uma situação que faz parte da agenda da reunião do Conselho de Ministros que deve decorrer de imediato.

