O Partido Popular aproveitou a sua maioria absoluta no Senado espanhol para fazer avançar esta quarta-feira, 27 de maio, uma iniciativa que reprova o governo pelos alegados casos de corrupção que estão a afetar o PSOE e elementos próximos do primeiro-ministro Pedro Sánchez, acusando o executivo socialista de se encontrar numa situação de “inoperância” e de não assumir “responsabilidades políticas”. A moção, que contou com o voto a favor do Vox, exige ainda ao governo que avance para a convocação de eleições. Esta iniciativa foi apresentada pelo PP no Senado um dia depois de a Audiência Nacional ter revelado a acusação de organização criminosa, tráfico de influências e falsificação de documentos contra o ex-primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero, com os populares a apelarem ao voto favorável dos partidos que apoiam o governo. No entanto, e apesar de a votação ter decorrido no dia em que foram feitas buscas na sede do PSOE, Junts, PNV, Coalición Canaria e Geroa Bai acabaram por abster-se. Os media espanhóis destacaram o sentido de voto dos nacionalistas bascos, já que o presidente do PNV, Aitor Esteban, disse há dias ser “irresponsável” que Sánchez continue no cargo após 2026.A questão é que esta iniciativa não é vinculativa, tendo servido apenas para o PP pressionar os aliados do governo no Congresso e perceber com que apoios poderá contar caso decida avançar com uma moção de censura. Possibilidade que, segundo o El País, o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, ontem ainda não tinha colocado em cima da mesa. “A situação que estamos a viver é extremamente grave e fala por si. Quantas rusgas policiais mais, quantas luvas mais, quantas investigações mais, quantos julgamentos mais?”, questionou ontem Feijóo. “Estamos numa situação desesperada. Não estamos apenas a questionar o governo, que é indecente, não só o Partido Socialista, mas também começamos a correr o risco de contágio”, acrescentou, sublinhando (num apelo a partidos como o PNV) que “a situação política é agonizante, o clima é insuportável. É necessário e urgente que os aliados digam: ‘Basta, convoquem eleições’”.Em jeito de resposta, a senadora nacionalista basca Estefanía Beltrán de Herédia afirmou que o PNV “se preocupa com o descrédito e a desconfiança que gera este governo”, mas justificou a recusa do partido em apoiar uma ofensiva do PP com os numerosos casos de corrupção que afetaram e têm afetado os populares. Falando a partir do Vaticano - onde foi recebido por Leão XIV, que visitará Espanha em junho -, Sánchez sublinhou a importância de manter a estabilidade do governo para alcançar progressos, afastando a possibilidade de eleições antecipadas. E reiterou o seu apoio a Zapatero. “Não posso convocar eleições por interesses partidários, tenho de convocar eleições pelo interesse geral dos cidadãos”, disse.As buscas desta quarta-feira na sede do PSOE tiveram como objetivo recolher documentação relacionada com um caso que envolve uma antiga militante do partido e funcionária pública, Leire Díez, que está a ser investigada por tráfico de influência. A polícia fez ainda buscas nas casas dos antigos dirigentes do PSOE, Gaspar Zarrías e Santos Cerdán, e do empresário Pérez Dolset.Segundo a Europa Press, o juiz da Audiência Nacional Santiago Pedraz está a investigar uma alegada “trama” criada para “desestabilizar de forma sistemática e continuada” as ações judiciais que afetam o PSOE e o governo. Trama que terá tido como ponto de partida o “período de reflexão” de Sánchez em abril de 2024, quando a sua mulher foi também acusada pela justiça. .Polícia espanhola faz buscas na sede do PSOE em Madrid. Sánchez promete "colaboração" com a justiça.Acusação contra Zapatero é mais uma dor de cabeça para Sánchez