Pessoas à volta de um edifício colapsado em La Guaira.
Pessoas à volta de um edifício colapsado em La Guaira.FOTO:EPA/MIGUEL GUTIERREZ

Equipa portuguesa atrás de milagre após 24 horas sem resgates na Venezuela

Portugueses continuam a missão de retirar dos escombros Hernán Gil, de 44 anos, encontrado com vida na segunda-feira. Número de mortos sobe para 2295.
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Nas primeiras 48 horas depois do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5 na Venezuela, 5380 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros. Mas na terça-feira (31 de junho), seis dias depois da tragédia, só Klieber Morán, um menino de 2 ou 3 anos, foi salvo - o governo venezuelano fala do “milagre de La Guaira” - pelas equipas internacionais de busca e salvamento no terreno (no caso a da Jordânia). E, nas 24 horas seguintes, não houve mais.

As boas notícias são poucas, mas uma delas envolve a Força Operacional Conjunta Portuguesa. Parte dos 64 operacionais que partiram de Lisboa está a trabalhar desde segunda-feira (30 de junho) para resgatar Hernán Gil, de 44 anos, que é segurança de um centro comercial em La Guaira e a quem foi possível passar água, alimentos e medicamentos.

“Este é um resgate de elevada exigência técnica, marcado pela enorme quantidade de escombros e pela difícil localização da vítima”, indicou, no Facebook, o Regimento dos Sapadores de Bombeiros de Lisboa (que faz parte da força operacional, junto com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, o INEM e a GNR). “Nenhuma vida é deixada para trás. A nossa missão continua”, acrescentou.

Mas a baixa probabilidade de encontrar mais sobreviventes está a levar equipas internacionais de busca e salvamento a dar por concluída a sua missão. É o caso da dos Países Baixos, que lembrou que agora é a vez de outros responderem às necessidades urgentes de tendas de campanha e assistência médica.

Um avião com meia centena de voluntários espanhóis partiu esta quarta-feira (1 de julho) de Madrid para montar um hospital de campanha. Um dos maiores perigos que os sobreviventes enfrentam são os ferimentos que ficam por tratar ou as doenças infecciosas, por falta de água potável ou um sítio seguro para ficar - com denúncias de escassez de comida e serviços básicos em La Guaira.

Oficialmente, os sismos já fizeram 2295 mortos e mais de 10.500 feridos, com o governo de Delcy Rodríguez a anunciar sete dias de luto nacional na Venezuela. Mas o executivo não revela o número de desaparecidos. Uma base de dados digital, alimentada pelas famílias, apontava para a existência de mais de 40 mil desaparecidos.

Luto também em Portugal

Portugal vai cumprir um dia de luto nacional, havendo pelo menos 71 portugueses e lusodescendentes entre os mortos (outros 71 estão desaparecidos ou incontactáveis).

“Decidimos no Governo, também já com a partilha com o Presidente da República, determinar o próximo domingo [5 de julho] como dia de luto nacional pelas vítimas dos terramotos que ocorreram na Venezuela e, em particular, pelos cidadãos portugueses, e lusodescendentes que perderam a vida e por todos aqueles que sofreram o efeito destas tragédias”, disse o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

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