Enxurrada nos Himalais. Dois portugueses foram localizados mas há dois novos desaparecidos
NARENDRA SHRESTHA/EPA

Enxurrada nos Himalais. Dois portugueses foram localizados mas há dois novos desaparecidos

Um lago formado por um deslizamento de terras na fronteira entre o Nepal e a China começou a transbordar esta sexta-feira e levou à interrupção temporária das operações de resgate.
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Foram localizados em segurança dois cidadãos nacionais que estavam desaparecidos após a enxurrada no Nepal, mas há dois novos portugueses desaparecidos.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou esta sexta-feira, 28 de agosto, que os dois irmãos dados como desaparecidos na quinta-feira foram localizados, mas contam-se dois novos desaparecimentos.

"No total estão desaparecidos três cidadãos nacionais na sequência do desastre no Nepal (um do sexo masculino e dois do sexo feminino, incluindo a primeira reportada)", diz o MNE.

As operações de resgate no Nepal e no Tibete estiveram interrompidas temporariamente esta sexta-feira na sequência do alerta de que uma albufeira formada na sequência das enxurradas tinha começado a transbordar.

A albufeira, formada pela acumulação de lama e rochas que bloqueou um curso de água após a catástrofe, situa-se a mais de dez quilómetros da passagem fronteiriça e começou a transbordar, segundo a estação estatal chinesa CCTV.

Dados divulgados pela imprensa chinesa nas últimas horas indicam que o volume de água retida ultrapassa os dois milhões de metros cúbicos.

A acumulação situa-se a cerca de 2.950 metros de altitude, quase mil metros acima da passagem de Gyirong, pelo que as autoridades alertaram que uma descarga repentina poderá desencadear novas cheias ou deslizamentos de lama a jusante.

Mas, após uma interrupção temporária, as operações de resgate foram retomadas, tanto no Nepal, como no Tibete, segundo avança o The Guardian.

O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu esta sexta-feira a mobilização de “todos os meios disponíveis” para localizar e resgatar os desaparecidos no Tibete, “sejam chineses ou estrangeiros”, durante uma reunião da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).

De acordo com o mais recente balanço das autoridades do Nepal, estão confirmadas 538 mortes, em consequências da tragédia. Ao mesmo tempo, 537 estrangeiros estão desaparecidas de acordo com um documento divulgado pelas autoridades estatais do Nepal.

Entre os desaparecidos, as autoridades locais colocam os nomes de dois portugueses (serão três, de acordo com as informações mais recentes do Ministério dos Negócios Estrangeiros).

No Tibete, as vítimas mortais registadas até ao momento são cinco e os desaparecidos mais de 500, dos quais 260 estrangeiros.

Alguns residentes voltaram às suas casas para procurar os pertences.
Alguns residentes voltaram às suas casas para procurar os pertences.FOTO:EPA/NARENDRA SHRESTHA

Apesar da devastação provocada pela enxurrada de quarta-feira, na sequência do colapso de parte de um glaciar, o Nepal garantiu esta sexta-feira que não necssita de assistência nas operações de socorro.

Um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lok Bahadur Chhetri, disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que, na fase atual, o importante é salvar vidas e que o Nepal dispõe dos meios necessários para as operações de socorro.

“Não se trata de recusar ajuda. Mas os nossos serviços de segurança são capazes de trabalhar com eficácia, o que estão a fazer atualmente. Se precisarmos de ajuda especializada, informaremos e solicitaremos”, afirmou.

Vários países e organizações internacionais já prometeram ajuda financeira de emergência ao Nepal, embora até agora as ofertas tenham chegado a conta-gotas e permaneçam com montantes relativamente modestos.

O Governo nepalês anunciou que o primeiro-ministro, Balen Shah, e os membros do gabinete vão doar um mês de salário e remuneração ao Fundo de Apoio a Desastres Naturais para ajudar as vítimas das inundações. O Ministério das Finanças, por seu lado, vai preparar um pacote de apoio e reabilitação para os afetados. Segundo o chefe da delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR) no Nepal, David Fisher, pelo menos 93 mil pessoas terão sido afetadas pela enxurrada.

*Com Lusa

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