Uma saída rápida para a guerra no Irão é desejada por quase todo o mundo, uma vez que às razões humanitárias se juntam motivos mais egoístas relacionados com as consequências da subida imparável do preço do petróleo em resultado do bloqueio ao estreito de Ormuz ditado pelo Irão. Depois de na segunda-feira a porta-voz da Casa Branca ter apontado para mais duas semanas da Operação Fúria Épica, o primeiro-ministro israelita disse que a Operação Rugido do Leão estava agora “além do ponto intermédio”, mas na terça-feira as forças israelitas indicaram estarem prontas para continuarem a bombardear alvos “nas próximas semanas”. Já os países do Golfo dizem em surdina aos EUA para não deixarem o trabalho a meio. Sem esconder a sua frustração por não conseguir cumprir os objetivos da operação militar desencadeada no último dia de fevereiro — ainda que os mesmos mudem consoante o dia ou o funcionário da administração Trump —, Donald Trump terá dito ao seu círculo próximo que está disposto a terminar uma guerra impopular ainda que deixe o estreito de Ormuz à sorte do Irão, como adiantou o Wall Street Journal. Apesar de Trump ter há muito declarado vitória, nenhuma das opções em cima da mesa parecem positivas para o lado de Washington. “A aposta do governo iraniano é que podem suportar mais dor por mais tempo do que os seus adversários, e podem estar certos”, disse Jon Alterman, do grupo de reflexão Center for Strategic and International Studies, com sede na capital dos EUA. Mas à Associated Press, funcionários da Arábia Saudita, dos Emirados, do Kuwait e do Bahrein transmitiram não querer que a operação militar termine até que se verifiquem mudanças de fundo na liderança iraniana ou uma mudança efetiva no comportamento do Irão.Em conferência de imprensa, o secretário da Guerra norte-americano encontrou outro ponto no calendário do conflito depois de dizer que Donald Trump estava disposto a fazer um acordo, mas que os EUA estavam preparados para continuar a guerra. “Temos cada vez mais opções, e eles [Irão] têm menos... em apenas um mês estabelecemos os nossos termos, os próximos dias serão decisivos”, disse Pete Hegseth. “O Irão sabe disso, e quase nada pode fazer militarmente a esse respeito.”Empresas tecnológicas são alvoSe podem ou não, desconhece-se, mas para já fica a advertência: os Guardas da Revolução declararam como alvo as empresas de tecnologia dos EUA presentes na região e aconselharam os seus trabalhadores a abandonar os locais de trabalho, bem com os habitantes que sejam vizinhos dos seus escritórios. “Considerando que o elemento principal na conceção e localização de alvos de assassínios é constituído por empresas norte-americanas dos setores da tecnologia e da IA, em resposta a estas operações terroristas doravante as principais instituições envolvidas nestas operações serão alvos legítimos para nós”, lê-se no comunicado da organização. A partir das 20h desta quarta-feira, hora de Teerão, avisam os Guardas da Revolução, serão “aniquilados” os escritórios da Apple, Google, Meta, Microsoft, HP, Intel, IBM, Cisco, Nvidia e Oracle, mas o aviso foi ainda estendido à fabricante de automóveis Tesla, ao banco JP Morgan e à construtora aeronáutica Boeing. Ainda na conferência de imprensa, Pete Hegseth responsabilizou outros países pelo facto de o Irão manter um bloqueio a navios de países considerados hostis em retaliação ao ataque israelo-norte-americano. Fez coro com Trump ao criticar o Reino Unido quando, ao referir-se a quem deveria assegurar a passagem no estreito de Ormuz, respondeu que “supostamente existe uma grande e temível Marinha Real”. Isto no mesmo dia em que a presidência francesa se mostrou “surpreendida” pela mensagem de Trump em que criticou a França por se mostrar “muito pouco cooperativa” na guerra contra o Irão, ao proibir o sobrevoo do seu território por “aviões com destino a Israel carregados de equipamento militar”. O Eliseu disse “não ter mudado de posição desde o primeiro dia” da guerra. Em Roma, o governo de Giorgia Meloni também revelou ter proibido a aterragem de aviões de combate na base de Sigonella, na Sicília. Plano sino-paquistanês Reunidos em Pequim, os chefes da diplomacia da China e do Paquistão apresentaram um plano de paz de cinco pontos: cessação imediata das hostilidades, início de negociações, respeito pelos alvos não militares, segurança das rotas marítimas (leia-se Ormuz) e primazia pela Carta das Nações Unidas. Segundo o Canal 12 israelita, a Casa Branca disse não se opor a esta iniciativa diplomática. Ataques a estruturas de saúdeO Irão queixou-se à Organização Mundial de Saúde pelos recentes bombardeamentos a um laboratório de produção de medicamentos anticancerígenos e outras substâncias especializadas, bem como ao hospital psiquiátrico Delaram Sina, recentemente inaugurado. Costa falou com Pezeshkian O presidente iraniano disse ao presidente do Conselho Europeu que o seu país tem a “vontade necessária” para pôr fim à guerra, desde que sejam dadas “garantias necessárias para impedir a repetição da agressão”, disse Masoud Pezeshkian. Já António Costa disse ter pedido o fim “aos ataques inaceitáveis contra os países da região” e que o Irão se envolva de forma construtiva no caminho diplomático”.