O presidente norte-americano, Donald Trump, disse antes de partir para uma viagem ao Texas que "não está feliz" com o Irão, mas mais negociações estavam previstas para esta sexta-feira (27 de fevereiro). “Não estou feliz com o facto de não estarem dispostos a dar-nos o que precisamos. Não estou nada satisfeito com isso. Vamos ver o que acontece. Falaremos mais tarde”, disse Trump aos jornalistas à saída da Casa Branca. “Não estamos propriamente satisfeitos com a forma como estão a negociar. Não podem ter armas nucleares”, afirmou Trump.As negociações de que falou envolvem o chefe da diplomacia de Omã, país que tem servido de mediador, que viajou para Washington para um encontro com o vice-presidente J.D. Vance.As declarações de Trump surgem depois de o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, ter autorizado os funcionários não essenciais a saírem do país o mais rapidamente possível. Apesar disso, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, estará segunda e terça-feira (2 e 3 de março) em Israel para discutir a situação no Irão. Rubio irá "discutir uma série de prioridades regionais, incluindo o Irão, o Líbano e os esforços em curso para implementar o plano de paz de 20 pontos do presidente [Donald] Trump para Gaza", disse o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Tommy Pigott.Alerta do embaixadorSegundo o The New York Times, o embaixador dos EUA em Israel terá enviado na manhã desta sexta-feira, 27 de fevereiro, um e-mail a informar que se os funcionários não essenciais da representação diplomática quiserem sair de Israel, assim como as suas famílias, o devem fazer "hoje". A saída de Israel de funcionários norte-americanos não essenciais "provavelmente resultará numa alta procura" por voos, avisou. "Concentrem-se em conseguir um assento para qualquer lugar de onde possam continuar a viagem para Washington, mas a prioridade será sair rapidamente do país", lê-se no email do embaixador dos EUA em Israel, avança o jornal norte-americano..Um desenvolvimento que poderá significar o escalar de tensões entre os EUA e o Irão, numa altura em que ainda decorrem negociações para um acordo nuclear, ao mesmo tempo que a presença militar norte-americana foi reforçada na região. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior do mundo, é esperado a qualquer momento em Israel, dirigindo-se para o porto de Haifa, sendo que no Mar Arábico já se encontra o USS Abraham Lincoln. Segundo a imprensa israelita, cerca de duas dezenas de aviões de reabastecimento norte-americanos já terraram no aeroporto Ben Gurión na madrugada, sumando-se à dúzia de caças F-22 dos EUA que chegaram na terça-feira..Que meios têm os EUA para atacar o Irão e onde é que Teerão pode retaliar?.Numa atualização publicada esta manhã no site da embaixada dos EUA em Jerusalém, é referido que o "departamento de Estado autorizou a saída" de funcionários não essenciais, assim como dos seus familiares, "da Missão em Israel devido a riscos de segurança"."Em resposta a incidentes de segurança e sem aviso prévio, a embaixada dos EUA poderá restringir ou proibir ainda mais a viagem de funcionários do governo dos EUA e dos seus familiares para determinadas áreas de Israel, a Cidade Velha de Jerusalém e a Cisjordânia", lê-se no aviso publicado no site da representação diplomática. Nesse sentido, "recomenda-se que as pessoas considerem deixar Israel enquanto houver voos comerciais disponíveis". .Apesar do aviso norte-americano, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) não alteraram ainda o nível de alerta para os israelitas. "Estou ciente da sensação de incerteza e da tensão que prevalece entre o público face aos acontecimentos regionais", disse o porta-voz, brigadeiro-general Effie Defrin num vídeo.“As Forças de Defesa de Israel estão a monitorizar de perto a situação no Irão e estão alerta e preparadas para os defender”, acrescentou. “Não houve qualquer alteração nas diretrizes. Se houver alguma alteração, estarei aqui e forneceremos uma atualização atempada”, concluiu Defrin.Outros países pedem para cidadãos deixarem o Irão.O Canadá, entretanto, pediu aos seus cidadãos para deixarem o Irão o mais rapidamente possível, noticia o Times of Israel, tendo em conta que, "devido às tensões contínuas, as hostilidades na região podem recomeçar com pouco ou nenhum aviso prévio". "Deixem o Irão agora, se puderem fazê-lo em segurança", pediu o governo de Otava que aconselhou os seus cidadãos a certificarem-se que os documentos de viagem estão atualizados e recomendou que tenham mantimentos suficientes, caso necessitem de procurar abrigo.Também a China está a aconselhar os seus cidadãos a evitar viajar para o Irão, pedindo aos que estão neste país para sair assim que possível, segundo a agência Xinhua (citada pela Reuters). Em causa a situação de segurança, com o aumento da tensão entre Washington e Teerão.Já o Reino Unido informou que "devido à situação de segurança, a equipa do Reino Unido foi temporariamente retirada do Irão. A nossa embaixada continua a operar remotamente". Em relação aos funcionários na embaixada de Telavive, o Reino Unido disse que os mudou para outros locais de Israel. “Tomámos a medida de precaução de transferir temporariamente alguns dos nossos funcionários e os seus dependentes de Telavive para outro local em Israel”, afirma o Ministério dos Negócios Estrangeiros numa atualização das suas recomendações de viagem para o país, acrescentando que a sua embaixada está a funcionar normalmente, mas que a situação “pode agravar-se rapidamente e representa riscos significativos”.E a França está a desaconselhar viagens tanto para Israel como para o Irão.A tensão aumenta um dia depois de Irão e EUA terem estado envolvidos em mais uma ronda de negociações em Genebra, sem chegar a um acordo. Uma nova ronda está prevista para a semana, além de um encontro com especialistas da Agência Internacional de Energia Atómica.“Os EUA devem escolher entre o caminho do diálogo ou o caminho do confronto e da tensão", disse o chefe da diplomacia iraniano, Abbas Araghchi, numa entrevista exclusiva à agência Irna. “O que é claro é que a questão nuclear do Irão não pode ser resolvida através de ações militares. Tentaram uma vez e não obtiveram resultados. Desta vez também, aumentaram a pressão ao máximo e não conseguiram nada”, acrescentou.Já na quarta-feira (25 de fevereiro), a Austrália tinha dado ordem de saída "de todos os dependentes de funcionários australianos destacados em Israel em resposta à deterioração da situação de segurança no Médio Oriente".Companhias aéreas como a KLM, com sede na Holanda, já anunciaram planos para suspender os voos com partida do Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Telavive.O responsável pelos direitos humanos da ONU, Volker Turk, diz estar “extremamente alarmado” com o risco de uma escalada regional em torno do Irão, no meio de repetidas ameaças de ataques dos EUA.“Estou extremamente alarmado com o potencial de escalada militar regional e o seu impacto nos civis, e espero que a voz da razão prevaleça”, disse Turk ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.Manifestou ainda alarme com a normalização do uso da força para resolver disputas, alertando que os conflitos criam “um deserto de direitos humanos”..Consulado "pop-up" num colonatoEntretanto, os EUA abriram esta sexta-feira (27 de fevereiro) o primeiro consulado temporário num colonato na Cisjordânia. O local escolhido é uma escola em Efrat.O consulado "pop-up" oferece serviços de pedido e renovação de passaportes aos habitantes, tendo sido elogiado por Israel e criticado pela Autoridade Palestiniana.No aviso da Embaixada dos EUA em Jerusalém também se avisava que podia ser proibida a ida de funcionários à Cisjordânia por questões de segurança. "O ambiente de segurança é complexo e pode mudar rapidamente, e a violência pode ocorrer em Israel, na Cisjordânia e em Gaza sem aviso prévio", avisava, explicando que "os terroristas e extremistas violentos podem atacar com pouco ou nenhum aviso prévio, visando locais turísticos, centros de transporte, mercados/centros comerciais e instalações governamentais locais." Em atualização.Mediador e ministro iraniano saúdam "progressos" nas conversações entre EUA e Irão