Eisenkot recebe mandato para formar Governo em Israel e propõe executivo de emergência nacional
O Presidente de Israel, Isaac Herzog, encarregou este domingo (8) Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, de formar o próximo Governo, numa tentativa de pôr fim ao impasse político que se seguiu às eleições legislativas de 27 de outubro. Num encontro na residência presidencial em Jerusalém, Eisenkot defendeu a criação de um “Governo de emergência nacional” e apelou à participação de todas as forças políticas.
Nas consultas presidenciais que antecederam o anúncio deste domingo, o até aqui dirigente da oposição reuniu o apoio de 67 dos 120 deputados do Knesset, o Parlamento israelita, enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recebeu 46 recomendações. O que levou Herzog a escolher Eisenkot para formar Governo, apesar de o Likud, partido de Netanyahu, ter sido a força mais votada, com 27 deputados, contra os 21 eleitos pelo Yashar.
“É evidente que o senhor Eisenkot recebeu o apoio claro e inequívoco da maioria dos deputados” quanto a quem tem “maiores possibilidades de formar um Governo com a confiança do Parlamento”, afirmou Herzog.
Depois de aceitar o mandato, Eisenkot disse que Israel está perante “um ponto de não retorno” e considerou imprescindível formar um executivo de emergência: “Serão necessárias medidas políticas criativas e pouco habituais.”
O antigo chefe militar, que perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra em Gaza, prometeu trabalhar por um Governo que represente todos os israelitas. “Os dias em que os israelitas se sentiam excluídos pelo seu Governo têm de acabar e nunca mais voltar”, declarou.
E estendeu a mão ao Likud e ao Partido Sionista Religioso, da extrema-direita. “Se realmente acreditam que chegou a hora da unidade, não vejo razão para que não venham apoiar um Governo liderado por mim”, disse, avisando que quem tentar “sabotar” a formação do executivo por motivos pessoais ficará para a história como alguém que não salvou Israel num momento de emergência.
Também o presidente Herzog apelou à unidade e pediu que o próximo Governo “sirva toda a nação”, incluindo quem não apoiou a sua formação.
Eisenkot dispõe agora de 28 dias para formar uma coligação. Se não o conseguir, tem direito a pedir uma extensão do prazo por 14 dias. Se não for suficiente, o Presidente entregará a missão a Netanyahu, que terá um novo prazo de 28 dias, sem possibilidade de extensão. No limite, terão de ser convocadas novas eleições legislativas.
* com agências

