Donald Trump já atacou mulheres jornalistas por 37 vezes
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Donald Trump já atacou mulheres jornalistas por 37 vezes

A International Women's Media Foundation regista cada vez que o presidente dos Estados Unidos agride verbalmente uma jornalista. Só na semana passada, numa mesma situação, atacou duas.
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Não foi uma, nem duas as vezes que Donald Trump atacou jornalistas mulheres nos seus dois mandatos como presidente dos Estados Unidos. Essas terão sido, aliás, as vezes que o fez só na semana passada.

“Repórterzinha horrível”, “és das piores que existem”, “parva”, “estúpida”, “não sabes do que estás a falar” ou “tens um QI baixo” foram algumas das ofensas que o presidente Trump dirigiu a jornalistas na semana passada enquanto faziam o seu trabalho na Casa Branca, segundo avança a agência de notícia espanhola EFE.

A estratégia é sempre a mesma: as jornalistas fazem a pergunta e o presidente ataca-a e, assim, não responde ao que lhe foi perguntado. Na semana passada, uma jornalista da CNN, Kaitlan Colin, queria saber se os EUA tinham dado algo em troca à Rússia para Vladimir Putin ter libertado um norte-americano. "Não sabes o que estás a falar, és uma tonta”, atacou ele. “És uma pessoa com baixo QI e trabalhas para a CNN”, acrescentou o presidente norte-americano que tem esta estação de TV e esta jornalista em particular como alvos frequentes.

Imediatamente a seguir, questionado sobre o mesmo assunto por outra jornalista, agora da ABC News, voltou ao ataque: “És uma pessoa estúpida e, já agora, o teu canal é o pior de todos”.

Desde que se tornou presidente dos Estados Unidos, em 2017, Donald Trump agrediu verbalmente 37 mulheres jornalistas, de acordo com os registos da International Women's Media Foundation (IWMF). Vinte e um deles ocorreram apenas em 2020, no primeiro mandato.

“Estes ataques não são casos isolados. Fazem parte de uma tática mais ampla para silenciar a imprensa e atacar as mulheres que ousam levantar a voz no espaço público”, defendeu Elisa Lees Muñoz, presidente deste organismo à EFE.

Os homens também são alvo das ofensas de Trump, como aconteceu na semana passada – uma semana rica em exemplos de agresividade contra a imprensa – em que perguntou “O que se passa contigo? Estás doente?” a um jornalista do The Independent. Mas a verdade é que as mulheres são um alvo mais frequente do presidente norte-americano.

Um dos episódios mais mediáticos aconteceu em novembro de 2025, quando se dirigiu a Catherine Lucey, correspondente da Bloomberg na Casa Branca, dizendo “Cala-te porquinha!” quando ela o tentava questionar por se opôr à divulgação de documentos sobre o caso Epstein.

“O volume e a quantidade de ataques dirigidos contra mulheres são muito maiores do que no caso dos jornalistas homens, e o tom destes ataques é profundamente misógino”, analisou Lees Muñoz, apontando a misoginia como parte da estratégia política de Trump. “Qualquer pessoa que analise o seu plano pode constatar que retirar direitos às mulheres é uma componente fundamental, e grande parte desse plano já foi posto em prática. Silenciar as mulheres e excluí-las do espaço público. Assistimos a ataques semelhantes contra juízas e contra mulheres que participam na política”, notou a presidente do IWMF.

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