Abdel Fattah el-Sisi recebeu Mohammed bin Salman no Cairo.
Abdel Fattah el-Sisi recebeu Mohammed bin Salman no Cairo.EPA/PRESIDÊNCIA DO EGITO

Do Cairo a Telavive, sauditas em busca de apoio contra os houthis

Príncipe saudita alerta que os houthis são uma ameaça para o mundo. MBS pediu ajuda operacional a britânicos, informações a israelitas, e quer convencer egípcios a juntarem-se ao esforço de guerra.
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O príncipe saudita Mohammed bin Salman (conhecido pelas iniciais MBS) encontrou-se esta terça-feira com o presidente do Egito Abdel Fattah el-Sisi. Na agenda estavam oportunidades de trocas comerciais e de investimento, mas a discussão "dos desenvolvimentos regionais", leia-se a tomada de toda a costa ocidental do Iémen pelos houthis, ameaçando a livre navegação no Mar Vermelho, foi o tema central da reunião no Cairo. "Esta não é apenas a guerra da Arábia Saudita, mas do mundo inteiro", disse bin Salman, líder de facto do reino saudita. "Os prejuízos que isto causará são ainda maiores do que os causados pelo encerramento do estreito de Ormuz", alertou, tentando puxar o Egito para o seu lado.

“Os houthis vão manter-nos reféns e também exigir um resgate, tal como o Irão exige aos navios que tentam passar pelo estreito de Ormuz”, continuou MBS.

Ao Egito não interessa um novo estrangulamento do comércio internacional. A anterior crise causada pelos houthis, em 2023, custou cerca de 10 mil milhões de dólares em receitas perdidas no canal do Suez. À época, os houthis atacaram navios em solidariedade para com Gaza. Mas também não interessará entrar em guerra aberta com os rebeldes iemenitas e, em consequência, com o Irão.

Segundo alguns observadores, MBS queria convencer Sisi a juntar-se a uma aliança militar liderada por Riade, bem como a convencer outros países para se juntarem.

De acordo com a presidência egípcia, ambos os líderes sublinharam a necessidade de garantir a liberdade e a segurança da navegação no estreito de Bab el-Mandeb e no Mar Vermelho e Sisi expressou apoio às medidas da Arábia Saudita para proteger a sua segurança e estabilidade e aos esforços para alcançar uma solução política abrangente e sustentável para a crise no Iémen. Palavras medidas e que não comprometem o Cairo para lá da sua solidariedade. No final de julho, o Egito fez parte dos signatários da nova Aliança de Defesa Marítima Multinacional, uma iniciativa da Arábia Saudita e que junta 14 países com o objetivo de proteger o Mar Vermelho, o estreito de Bab el-Mandeb e o golfo de Adém. Mas, até agora, esta nova entidade não mostrou serviço.

Os houthis, pelo seu lado, alertam os outros países para não interferirem. O seu porta-voz, Mohammed Abdul Salam, acusou a Arábia Saudita de tentar envolver outros na guerra em curso no Iémen. "A Arábia Saudita persiste na sua política de chantagem e intimidação do mundo, citando alegadas ameaças à navegação internacional no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb", afirmou. Há dias, o mesmo porta-voz havia assegurado que aquelas vias marítimas estão "seguras e abertas à navegação", à exceção dos navios sauditas.

Sem contar com o apoio militar dos EUA para poder infligir um ataque decisivo ao grupo islamista apoiado pelo Irão — Trump terá recusado o apelo de MBS por duas vezes —, Riade está a tentar construir uma rede de apoios alternativos. Além do Cairo, os sauditas viraram-se para Londres e para Telavive. Segundo vários meios de comunicação israelitas, durante a reunião de segunda-feira entre o príncipe saudita e o almirante Brad Cooper, do Comando Central dos EUA para o Médio Oriente, o primeiro terá pedido ao segundo que Israel forneça ajuda ao nível da partilha de informações militares e do mapeamento de ameaças dos houthis. A Arábia Saudita e Israel não têm relações diplomáticas, mas Riade planeava reconhecer Israel na condição de a Palestina ser reconhecida como um estado. Um cenário cada vez mais distante desde o ataque do Hamas e consequente guerra de Israel em Gaza.

Quanto a Londres, a Bloomberg noticia que os britânicos vão enviar "conselheiros militares" para o reino enquanto se consideram outras opções. A Arábia Saudita pediu ajuda ao governo trabalhista, incluindo assistência operacional.

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