Os mediadores iranianos viajaram esta segunda-feira (25 de maio) para o Qatar para discutir os termos de um possível “memorando de entendimento” com os EUA. Teerão admitiu progressos nas negociações com Washington, mas deixou claro que um acordo não está “iminente”. Isto depois de o chefe da diplomacia norte-americano, Marco Rubio, ter dito que um podia ser alcançado ainda esta segunda-feira. Mas o que está no memorando de entendimento? “O acordo com o Irão será ou excelente e significativo, ou não haverá acordo nenhum”, escreveu o presidente norte-americano, Donald Trump, na Truth Social, depois de no sábado (23 de maio) ter sugerido que a maioria dos temas já estava negociado. E ameaçou que, se não houver acordo, então os EUA estarão “de volta à linha da frente e aos tiros, mas maiores e mais fortes do que nunca - e ninguém quer isso!”, referiu. O memorando de entendimento ainda não é conhecido, mas várias fugas de informação permitem ter uma ideia do que contém. Em cima da mesa está uma extensão do cessar-fogo por mais 60 dias, permitindo a reabertura gradual do Estreito de Ormuz e novas negociações em relação ao nuclear iraniano. O memorando inclui o fim da guerra no Líbano, mas também garante o direito de Israel responder a qualquer ameaça. Em relação ao Estreito de Ormuz, a reabertura não é imediata, mas gradual, em paralelo com o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos. Este tem impedido Teerão de vender o seu próprio petróleo, privando os iranianos de uma importante fonte de rendimentos. A questão do levantamento das sanções e a libertação dos fundos iranianos congelados terá que esperar por mais negociações, segundo as fontes da agência Associated Press.Também é preciso mais diálogo para decidir como Teerão vai abdicar dos 440 quilos de urânio enriquecido que possui, mas os iranianos concordam desde já em não ficar com ele. Caso Irão não abdique do “pó nuclear”, como Trump lhe chama, não há levantamento de sanções. No domingo (24 de maio), o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse na televisão estatal que o país está pronto a garantir ao mundo que não procura uma arma nuclear, mas Teerão tem insistido no direito “inalienável” de ter tecnologia nuclear para fins civis.Outra questão que não surge no memorando é a questão do programa de mísseis balísticos, que Israel vê como uma ameaça constante. Esta segunda-feira (25 de maio), o canal 12 da televisão israelita, citava um relatório a dizer que o Irão retomou a produção dos seus mísseis e lançadores, mais rapidamente do que inicialmente previsto..Trump trava entusiasmo de Rubio e mostra não ter pressa para um acordo com o Irão