O guia supremo do Irão Mojtaba Khamenei terá dado ordens no sentido de vedar a saída do urânio enriquecido do país, noticiou a Reuters no mesmo dia em que o presidente dos EUA disse que o seu país se apoderará do material nuclear, e aumentando o fosso entre as posições entre Teerão e Washington.“A diretiva do guia supremo, e o consenso dentro do establishment, é que o stock de urânio enriquecido não deve sair do país”, disse à agência noticiosa uma fonte iraniana. Esta e outra fonte explicaram que as autoridades do Irão veem a transferência para o estrangeiro como uma vulnerabilidade face a futuros ataques dos EUA e de Israel. Antes da guerra, o Irão mostrou disponibilidade para enviar para fora do país metade do stock de urânio enriquecido a 60%, um nível superior ao necessário para usos civis, mas a posição mudou após repetidas ameaças de Trump de atacar o Irão e da desconfiança instalada depois de o país ter sido atacado duas vezes enquanto decorriam negociações.Ainda assim, uma das fontes apontou para “fórmulas viáveis” para resolver a questão. A que exemplificou passa por diluir o stock sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). O Irão possuía 440,9 kg de urânio enriquecido a 60% quando Israel e os EUA atacaram instalações nucleares iranianas em junho de 2025, estima a AIEA, mas o atual estado é uma incógnita.Na quinta-feira, Donald Trump voltou a referir-se ao urânio enriquecido. “Vamos obtê-lo. Não precisamos disso. Não queremos isso. Provavelmente vamos destruí-lo depois de o conseguirmos, mas não vamos deixar que eles o tenham.” Mas na semana passada havia mostrado mais flexibilidade, ao dizer na Fox News que a questão da transferência do urânio enriquecido seria “mais para relações públicas do que para qualquer outra coisa”. Já o secretário de Estado Marco Rubio disse ver “alguns sinais positivos” nas negociações que o seu país mantém com o Irão sob mediação do Paquistão. “Também não quero ser excessivamente otimista”, completou.