Demissão da ministra do Trabalho aumenta crise na coligação de Merz
A ministra do Trabalho da Alemanha e colíder do partido de centro-esquerda SPD demitiu-se esta segunda-feira dos dois cargos, alegando a morte da enteada e ataques políticos. Um afastamento que aumenta a crise que está a ser atravessada pelo governo de coligação do chanceler Friedrich Merz, em grande parte devido aos maus resultados, principalmente da CDU, em várias eleições regionais.
"Após a morte da minha enteada, percebi que preciso de tempo para processar o meu luto", disse em comunicado Bärbel Bas, revelando ainda que tem vindo a enfrentar crescentes "ataques públicos", incluindo por parte de membros do bloco conservador CDU/CSU, parceiro de coligação do SPD.
Bas, cujo ministério supervisiona grande parte do sistema de bem-estar social da Alemanha, vinha a ser alvo de críticas por parte de membros de escalões inferiores da CDU/CSU devido a atrasos numa reforma do sistema de Segurança Social.
“Os ataques contra ela durante os últimos dias do seu luto foram inapropriados. Isto é inaceitável”, disse o vice-chanceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil, que ocupa também o cargo de colíder do SPD. Face a esta demissão, Klingbeil cancelou uma viagem à Índia.
O SPD informou que Alexander Schweitzer, ex-chefe do governo regional da Renânia-Palatinado e um dos vice-líderes do partido, assumiria o cargo de ministro do Trabalho. De recordar que Schweitzer perdeu a liderança do governo da Renânia-Palatinado nas eleições regionais de março, ganhas pela CDU.
Merz, cujo partido termina esta segunda-feira um retiro estratégico de dois duas em Berlim, agradeceu a Bas pelo seu empenho e disse que a sua decisão merece ser respeitada. "Bärbel Bas e eu trabalhamos juntos com confiança no governo federal. Agradeço-lhe pelo seu empenho. A sua decisão merece respeito. Como pai e avô, só posso imaginar o quão pesada é este perda. Desejo a ela e à sua família muita força", escreveu o chanceler alemão no X.
SPD escolhe nova liderança
Lars Klingbeil adiantou ainda que, face à demissão de Bas, que era colíder do SPD, os sociais-democratas vão reeleger toda a sua direção num congresso partidário que se realizará em dezembro ou janeiro.
Esta eleição será um teste à autoridade de Klingbeil, que tem enfrentado derrotas eleitorais nas regionais, tal como a CDU, e, ao mesmo tempo, reafirmado o apoio do SPD ao governo de coligação de Merz.
Para já, sabe-se que o SPD irá manter o seu modelo de coliderança, mas Klingbeil não revelou esta segunda-feira se voltará a ser candidato.

