Péter Magyar vai ser o novo primeiro-ministro húngaro.
Péter Magyar vai ser o novo primeiro-ministro húngaro. EPA/Tibor Illyes

Cunhado de Magyar desiste de ser ministro da Justiça da Hungria para evitar mais polémicas

Péter Magyar, que toma posse este sábado, defendeu a escolha de Márton Melléthei-Barna para o cargo, mas agradeceu esta sexta-feira pela sua desistência.
Publicado a
Atualizado a

A um dia de tomar posse como primeiro-ministro da Hungria, Péter Magyar perdeu esta sexta-feira, 8 de maio, o seu nomeado para titular da pasta da Justiça, depois de Márton Melléthei-Barna ter retirado o seu nome da consideração para o cargo, pondo assim fim à primeira polémica do novo governo, ocorrida mesmo antes de iniciar funções. Em causa está o facto de Melléthei-Barna ser cunhado de Magyar.

"Para não lançar a mínima sombra sobre a mudança de regime, consultei Péter Magyar e concordámos que os melhores interesses do país e do governo de Tisza seriam atendidos se o primeiro-ministro solicitasse a nomeação de um profissional capaz e empenhado para o cargo de ministro da Justiça, que seria julgado pelo público unicamente com base nas suas ações", escreveu esta sexta-feira Márton Melléthei-Barna nas redes sociais.

Casado com uma irmã de Péter Magyar, Melléthei-Barna é advogado e foi colega universitário do próximo primeiro-ministro húngaro, sendo ainda um dos dez membros fundadores do Tisza, quando o partido foi criado há seis anos, tendo ocupado desde então as funções de diretor jurídico da formação política conservadora pró-europeia.

Mas o facto de ser cunhado de Magyar – é casado com a sua irmã, Ana Ilona – levantou muitas críticas, principalmente vindas do Fidesz, o partido de Viktor Orbán, e obrigou o quase primeiro-ministro húngaro a vir a público defender a sua escolha num vídeo que publicou no passado dia 1 de maio nas redes sociais.

"A carreira nacional e internacional do futuro ministro da Justiça, o seu trabalho de alta qualidade e a sua visão são inquestionáveis", afirmou Magyar no vídeo, sublinhando que “ele faz parte do nosso movimento pela mudança de regime desde o início, moldando e impulsionando as nossas operações e programas... Muito depois de se ter juntado à nossa comunidade, uniu a sua vida à da minha irmã. Por esta razão, considero naturalmente muito importante que o seu trabalho seja o mais público possível e que todas as suas decisões sejam transparentes”.

Mesmo assim, Péter Magyar reconheceu que o facto de Mellethei-Barna ser seu cunhado “criou um sério dilema para mim”, admitindo que as preocupações com uma relação familiar dentro do governo eram “compreensíveis”, revelando ainda que a irmã, uma juíza, seria suspensa do poder judicial.

Esta sexta-feira, num comentário ao anúncio de Márton Melléthei-Barna, o futuro primeiro-ministro húngaro agradeceu-lhe pela sua decisão, mas insistiu que teria sido um fantástico ministro da Justiça. Magyar revelou ainda que convidou a presidente da Faculdade de Ciências Políticas e Direito da Universidade de Szeged, Márta Görög, para ser a titular da pasta.

Péter Magyar vai ser o novo primeiro-ministro húngaro.
Mudar lei anti-LGBTQ+ chumbada por tribunal da UE será o primeiro teste de Magyar
Diário de Notícias
www.dn.pt