Crise política na Bélgica. Rei recusa pedido de demissão do primeiro-ministro
Esta sexta-feira, 6 de novembro, a Bélgica assiste a novos desenvolvimentos na crise política desencadeada pelo fracasso nas negociações orçamentais, com o rei Philippe a recusar o pedido de demissão do primeiro-ministro Bart De Wever.
Depois de apresentar a demissão ao monarca, na segunda-feira, na sequência da falta de acordo entre os partidos da coligação governamental sobre o orçamento do Estado, o chefe do Executivo voltou a reunir-se esta sexta-feira com o rei Philippe.
Após a audiência, o Palácio Real emitiu um comunicado em que é anunciado que o rei rejeitou o pedido de demissão de Bart De Wever.
Depois de consultar os líderes dos cinco partidos da coligação governamental, "o Rei decidiu rejeitar o pedido de demissão do primeiro-ministro e pediu que ele retomasse imediatamente as negociações orçamentais", lê-se na nota divulgada nas redes sociais.
"No final das suas conversações com os presidentes dos cinco partidos da maioria, o Rei tomou nota da vontade de cada um deles de concluir as negociações orçamentais o mais rapidamente possível. Todos reafirmaram a sua determinação em chegar a um acordo sobre uma trajetória orçamental sólida para os próximos três anos", indica o Palácio Real.
O monarca afirmou que "obteve igualmente dos cinco presidentes o compromisso formal de que os seus partidos estão dispostos a fazer concessões para se chegar a um acordo no seio do Governo".
O rei Philippe fez saber que "insistiu na necessidade de encontrar um equilíbrio justo entre a preservação da coesão social e o estímulo ao crescimento económico" e que os presidentes dos cinco partidos da maioria comprometeram-se "a fazer prevalecer o espírito de compromisso e de responsabilidade" para que tal seja alcançado".
Perante este contexto, o rei informou que "decidiu recusar a demissão do primeiro-ministro e solicitou-lhe que retome as negociações orçamentais de imediato".
Ficou estipulado que o primeiro-ministro irá agora apresentar ao monarca, no próximo dia 16 de novembro, um novo ponto de situação sobre as negociações orçamentais.
A crise política foi desencadeada pela falta de acordo entre a coligação governamental liderada por Bart De Wever sobre as medidas a adotar para mitigar um défice orçamental de dez mil milhões de euros.

