Bart De Wever à chegada ao encontro com o monarca belga.
Bart De Wever à chegada ao encontro com o monarca belga. OLIVIER MATTHYS / EPA

Crise política na Bélgica em suspenso até sexta-feira

Primeiro-ministro Bart De Wever apresentou a sua demissão ao rei Philippe após o falhanço das negociações para o orçamento. Monarca vai agora ouvir os partidos.
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O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, apresentou esta segunda-feira a sua demissão ao rei Philippe, que ainda não decidiu se a aceita, após os partidos da coligação governamental não terem chegado a acordo sobre o orçamento do Estado. “O rei recebeu Bart De Wever em audiência no Palácio Real. Na sequência do fracasso das negociações orçamentais, o primeiro-ministro apresentou a sua demissão”, lê-se num comunicado divulgado esta segunda-feira pelo Palácio Real da Bélgica. De Wever deixou o palácio após uma reunião de cerca de uma hora e meia com o rei Philippe, sem falar com a imprensa.

O mesmo documento refere ainda que o monarca “mantém a sua decisão em suspenso” e irá iniciar, a partir desta terça-feira, “consultas com os presidentes dos partidos que integram a maioria” governativa. “O primeiro-ministro será novamente recebido pelo Rei na próxima sexta-feira, 6 de novembro”, foi também adiantado.

Este pedido de demissão surge depois de, nos últimos meses, a coligação governamental liderada por Bart De Wever se ter dividido sobre as medidas que devem ser adotadas para mitigar um défice orçamental de dez mil milhões de euros. De recordar que De Wever tornou-se primeiro-ministro em fevereiro de 2025, liderando uma coligação composta por cinco partidos.

No comunicado do Palácio Real, o rei Philippe “lamenta a ausência de um acordo que permita dotar o país de um orçamento credível e à altura dos desafios atuais”, defendendo que “num contexto marcado por fortes incertezas geopolíticas e por importantes desafios económicos, o país não pode permitir-se uma crise política prolongada”. Neste sentido, o monarca belga apelou “ao sentido de responsabilidade de todos” e “exorta todas as partes envolvidas a fazer prevalecer o interesse geral e o espírito de compromisso”.

Falando esta segunda-feira sobre esta crise, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Prévot, explicou que havia “excesso de pontos de impasse”, sublinhando que se os fosse enumerar a todos “levaria uma eternidade”.

Prévot afirmou ainda que o seu partido, Les Engagés, está pronto para realizar reformas, mas sublinhou que estas devem ser equilibradas. “Caso contrário, a revolta que hoje observamos nos países vizinhos atingir-nos-á com a mesma intensidade”, alertou o também vice-primeiro-ministro.

Patrões e sindicatos mostraram-se também unidos no apelo para um acordo. “A situação económica do nosso país é particularmente preocupante. Ao mesmo tempo, observamos que os mercados financeiros estão a virar uma atenção cada vez maior para a Bélgica. Não é o momento para provocar uma crise política ou para aumentar ainda mais a incerteza”, referiu o diretor-geral da Federação das Empresas da Bélgica, Pieter Timmermans.

Do lado dos sindicatos, o SNI considero “incompreensível que o meio político falhe, mais uma vez, na superação dos grandes desafios”, enquanto a FGTB apontou o esgotamento da população perante “este espetáculo”. O Synova disse que “é tempo” de os responsáveis ​​políticos “demonstrarem” responsabilidade.

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