Controlo fronteiriço da UE: Receios de caos no porto de Dover, em Inglaterra, com o início da época alta de verão
Porto de Dover / Port of Dover

Controlo fronteiriço da UE: Receios de caos no porto de Dover, em Inglaterra, com o início da época alta de verão

Esperam-se longas filas na principal travessia de ferry do Canal da Mancha, a partir do porto Dover, Inglaterra, para França. O Sistema de Entrada/Saída (EES) do lado francês está, no entanto, inoperacional, o que deverá agravar a situação, com o registo dos viajantes de fora da UE a ser feito manualmente.
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Espera-se um fim de semana movimentado na principal travessia de ferry do Canal da Mancha, a partir do porto de Dover, no sudeste de Inglaterra, para França, com receios de longas horas de filas devido às novas regras no controlo fronteiriço da UE, a que se junta a época alta das férias de verão dos britânicos.

O Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês) francês no porto de Dover está inoperacional, pelo que o registo dos viajantes de fora da União Europeia (UE) irá ser feito manualmente, o que está a alertar as autoridades para possíveis engarrafamentos.

Estima-se que o porto de Dover irá receber, já esta sexta-feira, cerca de 7500 automóveis, um número que aumenta para 10.000 veículos no sábado (18), numa altura em que a maioria das escolas em Inglaterra e no País de Gales entram em interrupção letiva para as férias de verão no final desta semana ou no início da próxima. Na Escócia e na Irlanda do Norte, as férias dos alunos já começaram.

Este novo procedimento no controlo fronteiriço da UE, que substitui os carimbos nos passaportes, passou a implementar o registo biométrico dos viajantes, fotografias e recolha de impressões digitais, mas, do lado francês, no porto britânico de Dover, o sistema não está a funcionar devido a problemas de software na tecnologia, segundo explica o The Guardian. O registo irá, por isso, ser feito de forma manual, o que deverá agravar as longas filas de espera.

"Dececionante", diz responsável pelo porto

Doug Bannister, diretor executivo do porto de Dover, em Kent, manifestou desilusão pelo facto de o novo processamento de viajantes do EES não estar a ser utilizado para automóveis, uma vez que a tecnologia ainda não tinha sido ativada no lado francês, noticiou a BBC.

Mas se os próximos dias serão de grande movimento no porto de Dover, a situação deverá ser mais grave no fim de semana de 24 e 25 de julho, quando se esperam mais de dez mil automóveis a sair do país.

Estava inicialmente previsto que o registo das viaturas no novo sistema europeu seria efetuado em novas instalações portuárias, equipadas com 84 quiosques para o registo de dados biométricos. Mas do lado francês, o sistema acabou por não ser ativado, explica a BBC. "Entregámos as nossas instalações de Western Docks após investirmos 40 milhões de libras [cerca de 47 milhões de euros] do nosso capital", afirmou o diretor do porto.

"Estávamos sob pressão constante para que [os quiosques] estivessem operacionais, de acordo com o calendário previsto para o EES, e foram especificamente concebidos para lidar com os nossos picos de volume de forma segura e eficiente, mas não podemos utilizá-las", lamentou. "É muito dececionante", sublinhou, citado pela BBC.

Este responsável já tinha alertado para "repetidos episódios de congestionamento severo" durante este verão no porto de Dover, uma situação que poderia ser evitada caso a UE apresentasse uma maior flexibilidade no EES, defendeu, mas tal não aconteceu.

O porto de Dover prepara-se então para longas filas, com milhares de turistas a juntarem-se aos camiões nesta principal travessia de ferry do Reino Unido através do Canal da Mancha. Numa tentativa de minimizar a situação, apelou-se aos turistas para que usem apenas estradas principais quando se dirigem para o porto, e que programem as suas viagens para que cheguem no máximo duas horas antes da hora de embarque reservada.

As longas filas, devido ao novo sistema da UE de controlo fronteiriço, também são esperadas nos aeroportos durante a época alta das férias de verão, com a companhia lowcost Ryanair a avisar os passageiros do Reino Unido de que estes podem ser alvo de "testes", no âmbito de uma "infraestrutura fronteiriça inacabada", tendo aconselhado os clientes a prepararem-se para eventuais longas filas.

A Ryanair identificou Lisboa como um dos destinos turísticos classificados como "pontos críticos" para atrasos, devido ao Sistema de Entrada/Saída (EES).

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