A carta de criação do Conselho da Paz foi assinada a 22 de janeiro em Davos, na Suíça.
A carta de criação do Conselho da Paz foi assinada a 22 de janeiro em Davos, na Suíça.

Conselho de Paz garante a Israel que deve retirar-se de Gaza só após o desarmamento do Hamas

"Notamos que a retirada total das Forças de Defesa de Israel para além da linha amarela só terá lugar uma vez que esteja concluído o desarmamento", escreveu o Conselho da Paz.
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O Conselho da Paz, encarregado de implementar a segunda fase do plano de paz em Gaza, garantiu esta segunda-feira, 3 de agosto, ao primeiro-ministro de Israel que este país deve retirar do território palestiniano apenas depois do desarmamento "completo" do movimento islamita Hamas.

"Notamos que a retirada total das Forças de Defesa de Israel (IDF) para além da linha amarela só terá lugar uma vez que esteja concluído o desarmamento, como o Hamas se comprometeu perante os mediadores", escreveu o Conselho da Paz na rede social X, numa referência à linha de demarcação entre as zona controladas pelo Hamas e por Israel.

A declaração foi feita no mesmo dia em que o alto representante para Gaza do "Conselho da Paz", Nikolai Mladenov, se reuniu com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, um encontro que ele próprio classificou como difícil.

Segundo noticiaram ainda esta segunda-feira o Canal 12 israelita e o portal i24 news, citando fontes do organismo patrocinado pelo líder norte-americano, Donald Trump, o alto representante do Conselho da Paz para Gaza tinha pedido na reunião com Netanyahu, que este suspendesse durante 14 dias as operações no enclave palestiniano para permitir o início das negociações sobre a desmilitarização do Hamas.

Mladenov, acompanhado pelo conselheiro do Conselho da Paz Aryeh Lightstone, transmitiu a Netanyahu que Israel deverá interromper as operações militares em cumprimento dos compromissos previstos no plano de paz de 20 pontos impulsionado por Donald Trump, referiram aqueles meios.

A carta de criação do Conselho da Paz foi assinada a 22 de janeiro em Davos, na Suíça.
Israel partilhou com EUA preocupações de segurança sobre desarmamento do Hamas

O Conselho declarou ter alcançado uma "compreensão comum dos objetivos partilhados" com Israel.

Israel tinha expressado a Washington as suas "preocupações" sobre o acordo anunciado por Trump para lançar a segunda fase do seu plano para Gaza.

"Israel transmitiu aos seus homólogos americanos os seus comentários e preocupações sobre a estrutura proposta", declarou esta segunda-feira à AFP um porta-voz do chefe do governo israelita, numa nova demonstração das tensões entre os dois aliados, e que não foram dissipadas pelo encontro em Washington entre Trump e Netanyahu, no final de julho.

"A versão tornada pública não reflete a posição de Israel", acrescentou este porta-voz, Doron Spielman.

A carta de criação do Conselho da Paz foi assinada a 22 de janeiro em Davos, na Suíça.
Israel “comprometido” com plano para Gaza, mas duvida que Hamas se desarme

O Hamas, por sua vez, tinha anunciado sexta-feira que aceitava o plano elaborado pelo Conselho de Paz.

A versão tornada pública por este órgão prevê, nomeadamente, o fim das operações militares de ambas as partes, bem como o desmantelamento do armamento do Hamas e o seu armazenamento pelo Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão tecnocrático palestiniano encarregado de gerir o território numa fase transitória.

Este desarmamento estará ligado a uma retirada progressiva israelita, devendo a Força Internacional de Estabilização (ISF), em formação, ser destacada para separar as forças israelitas das áreas controladas pelo NCAG.

Mas Israel reiterou esta segunda-feira que "não se retiraria e continuaria a contrariar qualquer ameaça", segundo disse uma fonte política à agência de notícias francesa AFP.

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Hamas - o grupo que manda em Gaza e quer destruir Israel perante o desafio de desarmar

Após o anúncio do acordo, o Estado hebraico continuou com os seus ataques a Gaza, de acordo com uma fonte de segurança local, que contabilizou "mais de dez ataques aéreos" que mataram 19 pessoas desde domingo, um dos balanços mais elevados dos últimos meses.

Apesar da conclusão de um cessar-fogo em outubro de 2025, as hostilidades nunca cessaram no território devastado por dois anos de guerra, com ambos os lados a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.

Desde outubro, mais de 1.200 palestinianos foram mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde, cujos números são considerados fiáveis pela ONU. O exército israelita, por seu lado, registou cinco soldados mortos no período, assim como um funcionário civil.

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