Israel partilhou "graves preocupações de segurança" com os Estados Unidos relativamente à proposta de acordo de desarmamento com o Hamas, afirmou um porta-voz do gabinete do Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu.Doron Spielman afirmou à agência Associated Press que a avaliação dos serviços de informação israelitas indica que o Hamas continua empenhado em reconstruir a sua capacidade militar em vez de se desmilitarizar genuinamente.O porta-voz afirmou ainda que o exército israelita não se retirará de Gaza, onde controla mais de 60% do território , antes de o Hamas se desarmar."A nossa avaliação é de que, se nos deslocarmos antes de o Hamas estar verdadeiramente desarmado, o grupo expandirá rapidamente a sua presença por toda a Faixa de Gaza, reconstruirá a sua infraestrutura terrorista, voltará a ameaçar as comunidades israelitas, e tentará levar a cabo outro ataque ao estilo do 07 de outubro", disse, referindo-se ao ataque militante do Hamas contra Israel em 2023 que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.As declarações de Doron Spielman foram dos primeiros comentários públicos desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o acordo, e surgem dias depois de o Hamas ter dito que começaria a desarmar-se no âmbito do cessar-fogo intermediado pelos EUA.O plano de cessar-fogo de 20 pontos de Trump, assinado há nove meses para pôr fim ao conflito de quase três anos, exige que o grupo militante entregue as suas armas e destrua a sua vasta rede de túneis.O plano prevê também a retirada das forças israelitas de Gaza, a chegada de um novo governo tecnocrático palestiniano, o destacamento de uma força de segurança internacional e a reconstrução do fustigado enclave palestiniano.O desarmamento do Hamas tem sido um ponto de discórdia que paralisou as negociações durante meses.Ao anunciar o acordo nas redes sociais, na quinta-feira, Trump disse que este seria executado em "fases cuidadosamente estruturadas".Uma cópia do acordo obtida e verificada pela AP refere que todas as armas na posse da polícia gerida pelo Hamas serão transferidas para a comissão tecnocrática palestiniana apoiada pelos EUA, conhecida como Comissão Nacional para a Administração de Gaza, aquando da sua chegada ao enclave.Não é claro quando isso acontecerá, uma vez que está dependente de outras etapas.O processo para desmantelar e armazenar armas pesadas, bem como para encerrar instalações de produção militar e túneis, começará após a chegada da comissão palestiniana e o destacamento das forças internacionais.Este processo estará associado a uma retirada faseada de Israel, de acordo com o texto do acordo.As áreas que Israel controla em Gaza estão na sua maioria destruídas e despovoadas.A maior parte dos 2 milhões de palestinianos do território encontra-se na outra parte, onde centenas de milhares vivem em acampamentos de tendas esquálidos e em bairros destruídos.A Casa Branca não fez comentários adicionais este domingo, quando questionada especificamente sobre a avaliação de Israel de que o Hamas continua empenhado em reconstruir o seu exército.Responsáveis norte-americanos, que prestaram declarações aos jornalistas sobre o acordo de desarmamento na semana passada, afirmaram que Israel foi consultado em todas as etapas das negociações e que não lhe estava a ser pedido nada mais do que aquilo a que se tinha comprometido no âmbito do acordo de cessar-fogo e de libertação de reféns assinado no passado mês de outubro.De acordo com outra fonte, os israelitas levantaram duas outras questões: que o Catar e a Turquia não estejam envolvidos na verificação das etapas do acordo e que as armas do Hamas sejam destruídas após a confiscação. A fonte falou sob condição de anonimato por não ter autorização para falar com a imprensa.Desde a assinatura do cessar-fogo no passado mês de outubro, Israel tem continuado a realizar ataques em Gaza, afirmando ter como alvo o Hamas e as suas infraestruturas..Israel “comprometido” com plano para Gaza, mas duvida que Hamas se desarme