"Fundamentos de Segurança e Defesa da Pátria." Este é nome da nova disciplina introduzida no ensino secundário russo pelo presidente Vladimir Putin, na qual os adolescentes entre os 15 e os 18 anos vão receber uma nova versão da história do país através de ex-soldados como forma de os cativar para se alistarem no Exército para combater na Ucrânia..Uma vez por semana, em todas as escolas da Rússia e dos territórios ocupados da Ucrânia, os alunos terão uma aula que irá substituir uma outra disciplina que existia há muitos anos e que era designada como "Fundamentos de uma Vida Segura". Neste momento, há vários ex-soldados que estão a receber cursos gratuitos para poderem tornar-se professores desta nova disciplina escolar..O livro que vai orientar esta nova área escolar já foi lançado, tem o nome de "Exército Russo em Defesa da Pátria" e foi revelado pela BBC, que esteve presente na apresentação deste manual, durante a qual Olha Plechova, representante da editora, deixou pistas sobre o objetivo da obra: "Não podemos transmitir pontos de vista alternativos aos alunos. Por isso, este livro vai ajudá-los a responder a perguntas e vai oferecer-lhes uma abordagem precisa de determinados eventos.".Pois bem, entre a narrativa incluída na obra estão elogios ao antigo ditador soviético Joseph Stalin, às vitórias celebradas pelo povo durante a "Grande Guerra Patriótica" - termo que os russos utilizam para designar a II Guerra Mundial - e até o papel dos militares naquilo que designam de "reunificação da Crimeia com a Rússia"..O capítulo que merece, no entanto, maior destaque na obra é aquele que é dedicado à "operação militar especial na Ucrânia", como é designada a invasão da Ucrânia pelas forças de Vladimir Putin..Pode ler-se no livro que "quando houve um golpe de Estado em Kiev em 2014, o novo governo iniciou uma repressão a tudo o que era russo. Livros russos foram queimados, monumentos foram destruídos, canções russas e a própria língua russa foram banidas”. Os autores vão ainda mais longe na narrativa para convencer os jovens a revoltarem ao dizerem que na Ucrânia "eram servidos cocktails de sangue russo nos restaurantes"..É ainda garantido que "foi a Ucrânia e a NATO que planearam começar a guerra", sendo ainda dado como certo que "as cidades das regiões de Luhansk e Donetsk, onde exisita dissidência contra tais políticas [ucranianas], foram bombardeadas por explosivos e rockets nazis"..A narrativa russa via ainda mais longe acusando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky de ter ameaçado a Rússia ao dizer, a 19 de fevereiro de 2022 na conferência de Munique, que estaria "a planear adquirir armas nucleares", uma vez que estava aem marcha um plano para "recuperar o controlo de Donetsk e capturar a Crimeia" para que "depois as forças da NATO se posicionassem nesses territórios"..Estas novas passagens da história, segundo os russos, são ainda completadas com um outro capítulo onde é lançado o apelo claro que "cada vez mais os maiores de 18 anos devem alistar-se no Exército", estando mesmo incluído um formulário de inscrição, bem como os locais onde se pode proceder aos alistamento. Nesse sentido, é garantido que os novos soldados terão "assistência médica e seguro gratuitos, salário atrativo e três refeições diárias"..Por outro lado advertem aqueles que se alistarem e, mais tarde, não comparecerem, que ficam impedidos de obter crédito junto dos bancos, não podem conduzir nem ter propriedades em seu nome.