Comissão Europeia desembolsa mais 3,3 mil milhões de euros à Ucrânia para mísseis e drones
A Comissão Europeia anunciou o quarto pagamento à Ucrânia, de 3,3 mil milhões de euros para compra de drones e mísseis, ao abrigo do empréstimo de apoio ao país, de 90 mil milhões de euros. O anúncio da transferência foi feito na quinta-feira, 17 de setembro, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após conversa com o presidente Volodymyr Zelensky.
"A Rússia está a atacar Kiev sem tréguas, tentando tornar impossível a vida quotidiana dos seus habitantes. Amanhã (sexta-feira), entregaremos mais 3,3 mil milhões de euros à Ucrânia para a aquisição de mísseis e drones", afirmou Von der Leyen em comunicado, reiterando que Bruxelas está "ao lado de todos os ucranianos".
"Na semana passada, aprovámos o financiamento da UE para os sistemas Patriot através do nosso Empréstimo de Apoio à Ucrânia", adiantou a presidente da comissão, ressalvando que "é claro que é preciso mais".
"Estamos dispostos a utilizar os restantes recursos do programa SAFE para lançar um novo programa de projetos conjuntos de Defesa entre a UE e a Ucrânia (...) Poderemos combinar a experiência no campo de batalha e a inovação da Ucrânia com a tecnologia e a força industrial da Europa", referiu.
Com este desembolso de 3,3 mil milhões de euros (ME), o executivo comunitário já enviou quase 15 mil milhões de euros à Ucrânia este ano.
O Empréstimo de Apoio à Ucrânia divide-se num total de 30 mil ME para assistência orçamental e 60 mil ME para a defesa, no período 2026-2027.
O Empréstimo de Apoio à Ucrânia é um empréstimo de recurso limitado destinado a ajudar a satisfazer as necessidades de financiamento da Ucrânia para 2026 e 2027 e é executado no âmbito da cooperação reforçada com Kiev.
Esta sexta-feira, em comunicado, o executivo comunitário destaca ainda que “a vantagem militar da Ucrânia depende da rápida disponibilidade de produtos críticos nas quantidades necessárias e em prazos muito curtos”, alertando que “continua a ser crucial acelerar as entregas na UE através da redução de existências, da redefinição das prioridades das encomendas e do aumento da produção”.
Von der Leyen salientou que o apoio do bloco "vai muito além da defesa", referindo-se ao processo de adesão da Ucrânia.
"A minha mensagem aos amigos da Ucrânia em todo o mundo será simples: a Europa está a dar um passo em frente. Agora, os outros também devem intensificar o seu apoio", concluiu.
Zelensky descreveu a conversa como "muito produtiva", e informou que voltará a reunir-se com Von der Leyen na próxima semana em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU.
"Analisámos as medidas necessárias para garantir a nossa resiliência em matéria de Defesa, concentrando-nos detalhadamente na questão do financiamento da Defesa da Ucrânia. (...) A iniciativa de utilizar os restantes recursos do programa SAFE para apoiar novos projetos de Defesa que envolvam a Ucrânia e a União Europeia é muito oportuna e verdadeiramente necessária", afirmou Zelensky nas redes sociais.
Orçamento para 2027 precisa de 45,8 mil milhões de euros de financiamento estrangeiro
O Governo ucraniano aprovou o orçamento para o ano de 2027 com uma necessidade de financiamento estrangeiro de cerca de 45,8 mil milhões de euros e de gastos militares a um nível recorde, segundo divulgou a AFP.
"Prevê-se a mobilização de recursos provenientes da União Europeia (UE), dos países do G7 (…), do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (BM), do Reino Unido e de outros parceiros internacionais", indicou o texto.
O principal setor de despesa é o da Defesa e Segurança, com 95,9 mil milhões de euros previstos, um aumento de 11,9% face a 2026. Este montante representa 43,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Ucrânia, uma fatia recorde desde o início da guerra e a mais elevada do mundo.
Em comparação, os gastos militares da Rússia representam oficialmente 5,5% do PIB no orçamento de 2026 e têm uma previsão de queda no de 2027, embora alguns gastos possam ser opacos, segundo uma análise do jornal da oposição Novaya Gazeta.
Volodymyr Zelensky tinha anunciado na terça-feira que planeava adotar medidas "difíceis e impopulares" para "cobrir" o défice orçamental.

