Ciro Gomes pode ser candidato à presidência da República do Brasil pela quinta vez em outubro de 2026. Hoje no PSDB, partido de centro-direita a que regressou no ano passado, o político de 68 anos foi convidado a concorrer pelo presidente da formação, o deputado Aécio Neves, também ele um antigo candidato, em 2014. Se Ciro, que oscila entre o centro-direita e o centro-esquerda, aceitar, pode baralhar as contas dos favoritos, o atual presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, preso e impedido de concorrer.“Fiz um apelo para que ele se disponha a liderar um novo caminho para o Brasil, o caminho do centro democrático, liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, responsável no campo da gestão pública”, afirmou Aécio, no passado dia 15. Ciro disse que recebeu o convite “com surpresa e alegria” mas ainda não se decidiu. Nascido em Pindamonhangaba, cidade do estado de São Paulo mas com longa carreira no estado do Ceará, lembrou que vinha estruturando uma eventual candidatura ao governo local. “Mas uma convocação como essa feita agora não pode ser considerada apenas um afago ao meu sofrido coração”, continuou.O PSDB, partido que governou o Brasil através de Fernando Henrique Cardoso, de 1994 a 2002, e foi o principal rival dos candidatos do PT, Lula e Dilma Rousseff, nas segundas voltas de 2002 a 2014, esteve em risco de anexação por outras forças de centro-direita e consequente desaparecimento em 2025, na esteira do advento do bolsonarismo, em 2018. Porém, este ano ressurgiu com candidaturas estaduais independentes, “o que não é, no entanto, suficiente”, defendeu Aécio. “A responsabilidade que o PSDB tem para com o Brasil exige um projeto nacional”.A escolha de Aécio, entretanto, não deve ser acolhida de forma pacífica no partido porque Ciro prevê um caminho “nacional-desenvolvimentista” e não “pró-privatizações”, incluindo da petrolífera nacional Petrobrás, como defende o núcleo de economistas do PSDB, destaca o colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles. Mas a maior dor de cabeça que a entrada do candidato provoca é à esquerda, porque “tem apelo popular no Nordeste”, um dos bastiões de Lula, escreve por sua vez Luciano Trigo, colunista do jornal Gazeta do Povo. “Mas o provável sangramento de votos do atual presidente e a possível reacomodação do sistema em torno de Ciro como ‘mal menor’ ainda são apenas hipóteses”.“Já os correligionários de Bolsonaro dividem-se”, nota Robson Bonin, da revista Veja, citando dirigentes de extrema-direita. “Parte deles considera Ciro mais interessante para os planos de Flávio caso se candidate ao governo do Ceará, já que representaria uma tribuna de oposição local a Lula”. A candidatura estadual de Ciro, aliás, causou atritos no bolsonarismo: lideranças locais e os filhos de Bolsonaro apoiam-na, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, critica-a. Filho e irmão de políticos, Ciro começou por ser eleito deputado estadual do Ceará, em 1982, pelo PDS, um dos sucessores do ARENA, o partido dos militares na ditadura, mas mudou para o PMDB, a oposição tolerada pela mesma ditadura, no ano seguinte. Quando foi eleito prefeito de Fortaleza, a capital do Ceará, já estava no PSDB.Em 1990, foi eleito governador do Ceará, chegou a 75% de aprovação e foi considerado uma das 100 lideranças mundiais emergentes pela revista Time, fatores que o alçaram a ministro das Finanças, por meros quatro meses, no governo de Itamar Franco. Em 1998, pelo PPS, de centro-esquerda, concorreu à presidência pela primeira vez contra Fernando Henrique Cardoso, candidato à reeleição pelo seu ex-partido, o PSDB, Lula e outros. Foi o terceiro mais votado, atrás dos concorrentes citados. Em 2002, ficou em quarto lugar em nova candidatura ao Planalto, atrás de Anthony Garotinho, o terceiro, de José Serra, o segundo, e de Lula, que apoiaria na segunda volta.Eleito, Lula convidou Ciro para ministro da Integração Nacional, função que exerceu até 2006, quando decidiu concorrer a deputado federal já pelo PSB, também de centro-esquerda. Após quatro anos no Congresso, equacionou nova candidatura presidencial em 2010 mas optou, a pedido de Lula, por apoiar Dilma Rousseff e atuar como secretário da Saúde no governo do irmão Cid Gomes, no Ceará, antes de concorrer ao Planalto em 2018 e em 2022, agora pelo PDT, ainda de centro-esquerda.Em 2018, foi o terceiro mais votado mas não declarou apoio a Fernando Haddad na segunda volta contra Bolsonaro, o que indispôs a esquerda, e, em 2022, ficou-se pelo quarto lugar, atrás de Lula, de Bolsonaro e de Simone Tebet. Desde o ano passado de regresso ao PSDB, após romper com o irmão, caso concorra à chefia de Estado, enfrentará o presidente de centro-esquerda Lula, em busca do quarto mandato, e o senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro. Os demais candidatos que pontuam nas sondagens são os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos de direita, o guru de auto-ajuda Augusto Cury, sem ideologia, o ativista de direita Renan Santos e o bombeiro e pastor Cabo Daciolo. .Eleições no Brasil. Ronaldo Caiado será o escolhido da via alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro