Presidente da Rússia, Vladimir Putin
Presidente da Rússia, Vladimir Putin EPA/VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN POOL

CIA não encontrou indícios de ataque ucraniano contra a casa de Putin

Fontes dos serviços de informação de Washington consultadas pelo Wall Street Journal afirmam que a Ucrânia estava a visar um objetivo militar na região onde se encontra a residência de campo de Putin.
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A CIA não encontrou provas de que a Ucrânia tenha atacado uma residência do presidente russo, Vladimir Putin, segundo responsáveis ​​norte-americanos citados na quarta-feira, 31 de dezembro, pelo diário Wall Street Journal, contrariando as alegações de Moscovo.

As fontes dos serviços de informação de Washington consultadas pelo jornal norte-americano afirmam que a Ucrânia estava a visar um objetivo militar que já tinha atacado anteriormente na região de Novgorod, onde se encontra a residência de campo de Putin, mas não nas proximidades do alvo de Kiev.

A notícia foi divulgada no mesmo dia em que o presidente norte-americano, Donald Trump, partilhou nas redes sociais um editorial do New York Post que acusa Moscovo de fabricar o ataque para sabotar o processo de paz com Kiev.

O artigo é bastante crítico do líder do Kremlin, que acusa também de basear toda a campanha contra a Ucrânia numa mentira, de "desprezar os Estados Unidos" e de trabalhar contra a agenda de Trump ao aliar-se a países como o Irão, a Coreia do Norte e a Venezuela.

Na passada segunda-feira, Trump afirmou que fora o próprio homólogo russo que lhe tinha contado por telefone o alegado ataque à sua residência.

Numa primeira reação, o dirigente norte-americano expressou insatisfação com a alegada ação ucraniana, embora tenha admitido que a operação poderia não ter decorrido conforme fora descrito por Putin.

Anteriormente, o chefe da diplomacia de Moscovo, Sergei Lavrov, afirmou que as forças russas frustraram um ataque contra a residência de Putin em Novgorod, uma alegação negada por Kiev.

"Na noite de 28 para 29 de dezembro de 2025, o regime de Kiev lançou um ataque terrorista com 91 veículos aéreos não tripulados de longo alcance contra a residência oficial do Presidente russo na região de Novgorod", disse Lavrov.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, destacou na terça-feira que os aliados de Kiev têm a oportunidade de verificar a falsidade da acusação de Moscovo.

"A nossa equipa de negociação contactou a equipa norte-americana, examinaram os detalhes e descobrimos que é falsa. E, claro, os nossos parceiros também podem verificar, utilizando os seus recursos técnicos, que era falsa", argumentou.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin
Rússia acusa Ucrânia de ter tentado atacar residência de Putin. Zelensky fala em "completa invenção"

A alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, questionou no dia seguinte a veracidade do ataque ucraniano à residência do presidente russo, considerando que se trata de “uma distração deliberada”.

O Governo ucraniano já tinha declarado que Moscovo não tem provas para suportar a sua acusação, que levou a diplomacia russa a ameaçar com um endurecimento da sua posição nas negociações de paz promovidas pela Casa Branca

Esta súbita tensão ocorre logo após declarações dos Estados Unidos e da Ucrânia a indicar progressos na busca de um entendimento.

Ucrânia quer o fim do conflito, mas não "a qualquer preço", diz Zelensky. "O acordo de paz está 90% pronto"

Na sua mensagem de Ano Novo, Zelensky disse que a proposta de um acordo de paz com a Rússia está 90% pronta, embora observe que a parte determinante está nos restantes 10%.

"O acordo de paz está 90% pronto. Faltam 10%. (...) Estes 10% contêm tudo, na verdade. São estes 10% que vão determinar o destino da paz, o destino da Ucrânia e da Europa", declarou numa mensagem de vídeo na plataforma Telegram, na qual sublinha "10% para a paz".

O presidente ucraniano afirmou que o seu país quer o fim do conflito, mas não "a qualquer preço", e que um acordo deverá incluir fortes garantias de segurança para impedir a Rússia de lançar outra invasão.

Outra parte sensível que afasta as partes prende-se com as questões territoriais, com Moscovo a reivindicar a legitimação da anexação das regiões ocupadas na Ucrânia, que por sua vez tem recusado a sua cedência.

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Moscovo divulga imagens de "drone" de suposto ataque a residência de Putin. Kiev fala em "mentira fabricada"

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