O Governo moçambicano anunciou este sábado, 24 de janeiro, que quase 20 mil pessoas foram resgatadas, nas províncias de Maputo e Gaza, devido às cheias, em operações que envolvem 44 embarcações e pelo menos 14 meios aéreos.De acordo com o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, até ao dia de hoje foram “resgatadas” 19 254 pessoas, sitiadas pela subida das águas, sendo 11 693 na província de Maputo e 7561 na província de Gaza, sul de Moçambique, operações coordenadas pela Unaproc, Unidade Nacional de Protecção Civil das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.“As missões de resgate das populações estão a ser realizadas por equipas da Unaproc e outras instituições nacionais e internacionais, num de total de 63 efetivos. Estão mobilizadas 44 embarcações, quatro aeronaves, nove helicópteros e uma viatura anfíbia que está em operação desde ontem [sexta-feira]”, disse o porta-voz.Acrescentou que as ações de salvamento “contam ainda com a presença de bombeiros de resgate e salvamento que trabalham 24 horas por dia”, além de 160 voluntários da Cruz Vermelha e de outras organizações “alocados aos diversos centros de acolhimento e acomodação”.“A resposta humanitária às cheias e inundações em Moçambique tem garantido assistência, até este momento, considerada suficiente para as populações afetadas, em especial nos 94 Centros de Acolhimento e Acomodação”, explicou ainda Impissa, na comunicação diária sobre a situação das cheias em Moçambique.Acrescentou que a intransitabilidade na estrada Nacional 1 (N1), entre as províncias de Gaza e Maputo, desde o passado sábado, também devido às cheias, “deixou muitos concidadãos sem possibilidade de chegar aos seus destinos”, mas apontou que desde 19 de janeiro a Linhas Aéreas de Moçambique já realizou 42 voos, não previstos inicialmente entre as duas províncias, “tendo transportados um total de 3014 passageiros”.“Dada a crescente procura por transporte aéreo, a partir de hoje, 24 de janeiro de 2026, a nossa companhia aérea aumentou a frequência, para seis voos diários”, disse ainda.Adicionalmente, “devido à crescente demanda de cidadãos que pretendem se deslocar”, e com incidência para a cidade de Maputo, o Governo anunciou para segunda-feira, dia 26 de janeiro, uma ligação marítima a partir do Porto de Chongoene.“Esta ligação marítima será garantida pela embarcação mista, que vai ligar Maputo a Chongoene [sul de Gaza] e vice-versa transportando mercadoria de emergência e mercadoria comercial, para além da capacidade para transportar 100 passageiros. A viagem por trajeto tem duração de seis horas”, explicou Impissa.As cheias em Moçambique já afetaram 651 843 pessoas desde 7 de janeiro, com 12 mortos e 95 870 cidadãos em centros de abrigo, segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 13:30 (11:30 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 141 251 famílias, com registo de 3396 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 71600 inundadas.Face ao balanço anterior, de sexta-feira, o número de pessoas afetadas aumentou em mais 10 mil, essencialmente nas províncias de Maputo e de Gaza.Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 131 pessoas em Moçambique, além de 144 feridos, e 779 506 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional. .Segunda morte de um civil por agentes federais em menos de um mês agrava tensão no Minnesota .Trump ameaça Canadá com tarifas de 100% por aproximação à China