Discreto, tímido até, Morgan McSweeney era o homem na sombra, o cérebro por detrás da vitória esmagadora dos trabalhistas nas eleições de 2024 que levaram o Labour de volta ao poder no Reino Unido após 14 anos de governos conservadores. Este domingo, 8 de fevereiro, o chefe de gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer renunciou ao cargo, cedendo à indignação com o seu papel na nomeação de Peter Mandelson como embaixador nos EUA. A posição de McSweeney tornou-se cada vez mais insustentável à medida que aumentava a pressão sobre Starmer devido ao escândalo que se seguiu à divulgação de e-mails que destacavam a extensão da relação de Mandelson com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.Pressionado até por deputados trabalhistas, que o culpam pela nomeação de Mandelson, há um ano, como embaixador do Reino Unido nos EUA, McSweeney demitiu-se afirmando que assume "total responsabilidade" por aconselhar Starmer a nomear Mandelson, uma decisão que minou a confiança no Partido Trabalhista, no país e na própria política, e que o único "caminho honroso" para ele era demitir-se.Com os analistas a apontarem que a demissão de McSweeney é uma manobra desesperada do primeiro-ministro para se salvar, apesar das pressões cada vez maiores para se demitir, Starmer reagiu à decisão do seu colaborador garantindo que "foi uma honra trabalhar com Morgan McSweeney durante muitos anos". E acrescentou: "Ele transformou o nosso partido após uma das piores derrotas de sempre e desempenhou um papel central na condução da nossa campanha eleitoral. Foi em grande parte graças à sua dedicação, lealdade e liderança que obtivemos uma maioria esmagadora e temos a oportunidade de mudar o país." O primeiro-ministro lembrou ainda que "tendo trabalhado em estreita colaboração com Morgan na oposição e no governo, testemunhei diariamente o seu empenho para com o Partido Trabalhista e o nosso país. O nosso partido e eu estamos-lhe muito gratos, e agradeço-lhe pelos seus serviços prestados."Na passada quinta-feira, dia 5 de fevereiro, Starmer fez um pedido de desculpas público às vítimas do traficante de menores Jeffrey Epstein por ter nomeado Peter Mandelson embaixador do Reino Unido em Washington, um dia depois de as suas respostas na Câmara dos Comuns terem gerado críticas até no próprio Labour. A oposição mostrou-se insatisfeita com as justificações, mas dentro do Partido Trabalhista não falta quem já tenha começado a contar espingardas para a hipótese de alguém disputar a liderança com Starmer.No dia 1 de fevereiro, Mandelson já se tinha desvinculado do Partido Trabalhista depois de surgir em mais fotos e emails embaraçosos na última tranche do ficheiro Epstein. Mas a sua relação de amizade com o falecido criminoso sexual não só já lhe tinha custado o cargo de diplomata em setembro como lhe custou também o lugar na Câmara dos Lordes.Agora, em reação à demissão de McSweeney, a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch, comentou: "já estava na hora". Citada pela BBC, Badenoch atacou Starmer, argumentando que "mais uma vez, com este primeiro-ministro, a culpa é de outra pessoa: 'Mandelson mentiu-me' ou 'Morgan aconselhou-me'". A líder dos tories garantiu que o primeiro-ministro precisa de "assumir a responsabilidade pelas suas próprias decisões terríveis"..Depressão Epstein empurra Starmer para as cordas