Funcionários da Cruz Vermelha distribuem alimentos para migrantes na praia El Trampolin, em Ceuta, Espanha
Funcionários da Cruz Vermelha distribuem alimentos para migrantes na praia El Trampolin, em Ceuta, EspanhaEPA/REDUAN

Ceuta pede "ajuda e solidariedade" ao resto de Espanha enquanto circulam rumores de nova entrada massiva

Autoridades atentas a mensagens nas redes sociais que convocam nova alegada entrada massiva de migrantes a 15 de agosto. Presidente da cidade autónoma diz que situação segue "caótica e insustentável".
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Ceuta permanece em estado de alerta, dias depois da entrada massiva de migrantes que colocou a cidade sob enorme pressão. Enquanto prosseguem os esforços das autoridades locais para responder à crise, começaram a circular nas redes sociais mensagens que apontam para uma alegada nova tentativa de travessia em massa no próximo dia 15 de agosto, um cenário que está a ser acompanhado de perto pelas autoridades espanholas e reforça a inquietação entre a população local.

A convocatória, difundida sobretudo em grupos dirigidos a jovens marroquinos interessados em emigrar para Espanha, já foi identificada por fontes policiais citadas pela imprensa espanhola, mas estas consideram pouco provável que se repita um episódio semelhante ao da entrada massiva registada na semana passada, defendendo que tanto Espanha como Marrocos têm interesse em evitar uma nova situação dessa dimensão.

Ainda assim, a vigilância foi reforçada e as autoridades mantêm sob observação a atividade nas redes sociais e os movimentos na fronteira, adianta o jornal El País.

Relatos na imprensa espanhola apontam para uma intensa atividade nas redes sociais, onde são partilhadas mensagens com hashtags como #MigracionAEspana e #ContratodeltrabajoenEspana, além de slogans como "vemo-nos lá no dia 15 de agosto", denuncia o El País.

Os rumores reforçam o clima de apreensão em Ceuta, cidade autónoma espanhola no norte de África que acolhe atualmente centenas de menores migrantes sem capacidade de resposta suficiente, depois da entrada em massa registada na semana passada. O presidente do governo da cidade autónoma espanhola, Juan Jesús Vivas, lançou esta quarta-feira (5 de agosto) um apelo ao restante país para ajudar a cidade a enfrentar a crise. Numa entrevista à televisão pública espanhola RTVE, descreveu a situação como "caótica e insustentável" e pediu "socorro, auxílio, ajuda e solidariedade" ao resto de Espanha.

Vivas defendeu também a redistribuição dos menores migrantes pelas restantes comunidades autónomas, afirmando que esse mecanismo "está a ser aplicado e vai continuar a ser aplicado", apesar da oposição manifestada por várias regiões governadas pelo Partido Popular, como a Extremadura, onde o PP governa em coligação com o partido de extrema-direita espanhol Vox.

O presidente da cidade alertou ainda para os riscos de segurança, sustentando que Ceuta continua "com a alma em suspenso" e que permanece um "elevado risco para a ordem e a segurança dos cidadãos". Questionado sobre os rumores de uma nova entrada a 15 de agosto, reconheceu que a população vive essa possibilidade "com inquietação", uma vez que "ficou demonstrado que a nossa segurança é muito vulnerável".

Vivas voltou também a levantar dúvidas sobre a atuação de Marrocos durante a crise. "Alguém pode acreditar que é possível mobilizar 70 ou 80 mil pessoas sem que as autoridades marroquinas se apercebam? O senso comum diz que não", afirmou.

A cidade continua a recuperar da entrada irregular de mais de 72 mil pessoas registada na semana passada. Embora a maioria já tenha regressado a Marrocos, cerca de um milhar de menores permanecem em Ceuta a aguardar uma solução. Além disso, o balanço humano da crise continua a agravar-se. De acordo com as autoridades espanholas, pelo menos 77 pessoas morreram durante a travessia a nado e outras duas já em território espanhol. A imprensa espanhola estima ainda que cerca de 60 vítimas mortais tenham sido registadas do lado marroquino da fronteira.

Segundo informações citadas pela imprensa espanhola, os serviços de informações espanhóis, a Polícia Nacional e a Guarda Civil teriam já sinalizado previamente movimentos invulgares na fronteira marroquina, mas acrescentam as mesmas fontes, a dimensão da entrada massiva terá ultrapassado todas as previsões e apanhado as autoridades desprevenidas.

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