A decisão da Justiça espanhola de não aplicar a "recusa na fronteira" nem a "devolução rápida" aos migrantes influenciou a travessia de milhares de pessoas para Ceuta. Esta é uma das conclusões de Marrocos, que começou a quebrar o silêncio sobre a crise na fronteira com Espanha.Um alto funcionário de Rabat falou esta tarde, 3 de agosto, com jornalistas estrangeiros, segundo a EFE e a Reuters. Na perspetiva de Marrocos, as autoridades espanholas deveriam ter previsto as consequências desta decisão, cuja divulgação foi amplificada nas redes sociais e utilizadas por "redes de tráfico" humano.Segundo a mesma fonte, a decisão do Supremo espanhol "enfraqueceu" a cooperação bilateral em matéria de migrações, uma vez que existe "uma responsabilidade partilhada" entre os dois países. O responsável, cujo nome não foi divulgado pelas agências, defendeu que a decisão teve um efeito de incentivo às travessias.Nas redes sociais, acrescentou, a decisão judicial foi divulgada de forma simplificada. "A mensagem passou a ser simplesmente: atravessem e serão protegidos" e "A Europa pede-nos que impeçamos os migrantes de atravessar, mas, do outro lado, estende-lhes o tapete vermelho quando conseguem atravessar!", afirmou.A mesma fonte acrescentou que Marrocos alertou Espanha para as consequências da decisão judicial dias antes da travessia de milhares de migrantes. Agora, insiste que a responsabilidade não é de Rabat. "Cabe à Espanha encontrar uma solução para restaurar o efeito dissuasor", afirmou. A decisão judicial em causa foi proferida a 8 de julho e limitou o retorno imediato de migrantes que chegam aos enclaves espanhóis por via marítima..Crise migratória de Ceuta: Espanha evita apontar dedo a Marrocos, mas exige investigação.Crise migratória em Ceuta: governo local calcula que ainda haja entre 3000 e 5000 migrantes na cidade autónoma