Portugal não manteve Ceuta em 1640, ao contrário de quase todo o Império português que obedeceu a D. João IV aquando da Restauração. Porquê?Ceuta foi a única cidade do Império Português que não reconheceu João IV como rei de Portugal aclamado em 1 de dezembro de 1640. Com efeito grande parte da sua nobreza decidiu permanecer fiel a Filipe IV de Castela, que continuou a admitir ser rei de Portugal. Tal atitude talvez se justificasse devido à constante necessidade de apoio alimentar e militar desse reino que lhe ficava mais perto do que Portugal. Em 30 de abril de 1656 foi reconhecida oficialmente a integração de Ceuta na coroa de Castela, realidade aceite por Portugal no tratado de paz de 1668 que punha fim à guerra da Restauração.A tomada de Ceuta em 1415 envolveu D. João I e os filhos. Qual a motivação da conquista?Trinta anos depois de em 1385 D. João I ter triunfado em Aljubarrota, este soberano decidiu conquistar Ceuta. Desta forma ele avançou para uma desejada construção de um novo Algarve Além-mar e, ainda que sem então o saber e indiretamente, tenha dado início a um processo de transcendente importância como foi a expansão europeia pelo mundo. Esta ação bélica permitiu a D. João I alcançar grande prestígio e projetar para uma área geográfica fora de Portugal as forças guerreiras da “nova geração de gentes” que o ergueram ao poder e haviam ficado desocupadas com o estabelecimento da paz com Castela em 1411. Os filhos do rei, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique foram os protagonistas deste empreendimento tendo sido então armados cavaleiros e recebendo de seguida grandes benesses. O objetivo da ação então em vista consistiu em subjugar a cidade de Ceuta, opção que resultou de uma ampla conjugação de fatores que vão desde os de índole religiosa e ideológica, como são os ideais de reconquista, de cruzada e da prática de feitos heroicos, até aos interesses de natureza económica relacionados com a ambição de obter um rico saque. Ainda assim a pilhagem então praticada não compensou os muito elevados custos da expedição. São ainda de ponderar razões de ordem estratégica para a realização deste empreendimento, as quais se prendem, por um lado, com a necessidade de alcançar a segurança da navegação no estreito de Gibraltar e da costa algarvia contra ataques dos mouros. Em 1415, Portugal ficava assim com um forte poder de interferência no estreito de Gibraltar, entre o Atlântico e o Mediterrâneo. Para observar o alcance da Expansão Portuguesa que se lhe seguiu basta verificar que cem anos depois da conquista de Ceuta Portugal dominava no Oriente os estreitos de Ormuz e Malaca.Ceuta faz parte do imaginário português, com vários episódios. Por exemplo, foi lá que Luís Vaz de Camões perdeu um olho. Mas durante 225 anos foi mais um problema do que uma vantagem, certo?Em 1426, o infante D. Pedro afirmou a D. Duarte que Ceuta era “mui bom sumidouro de gente de vossa terra e de armas e de dinheiro”. Ele avaliava assim negativamente a expansão portuguesa em Marrocos e como que adivinhando que D. João III, devido às dificuldades financeiras e militares em continuar a sustentar a manutenção dos domínios portugueses em Marrocos, foi obrigado a mandar evacuar Safim e Azamor em 1541, e Alcácer Ceguer e Arzila, em 1550, ainda que tenha mantido e ampliado as fortificações de Ceuta, Tânger e Mazagão. Símbolo dos sofrimentos que os portugueses passaram para manter o “Algarve de Além-mar” temos o caso de Camões, que foi a Ceuta nesta conjuntura negativa, talvez entre 1548 e 1549, aí tendo perdido o olho direito. Atualmente em Ceuta e Marrocos ainda se podem ver muitas fortificações que os portugueses ergueram nos séculos XV e XVI de acordo com modernas técnicas de defesa da arquitetura militar europeia da época. Tais monumentos grandiosos evidenciam o clima de guerra quase permanente entre cristãos e muçulmanos que nelas se vivia.Portugal pôs fim à presença no litoral marroquino no século XVIII, deixando Mazagão. A que se deveu essa decisão no reinado de D. José?A única possessão que os portugueses ainda mantinham em Marrocos nesse século era Mazagão, atualmente denominada El Jadida. Esta povoação era constantemente atacada pelos mouros que no final de 1768 lhe puseram um grande cerco. O Marquês de Pombal deu então ordem em 31 de janeiro de 1769 para que ela fosse evacuada pois alegou ”as extraordinárias despesas a que obrigaria a defesa dela” e, sobretudo, perspetivando que ela já não possuía qualquer interesse estratégico. Os 2100 habitantes de Mazagão abandonaram-na em 11 de março de 1769 e depois de uma estadia em Lisboa partiram para fundar uma Vila Nova de Mazagão na Amazónia.O escudo de Ceuta tem as quinas. É uma homenagem à história portuguesa da cidade?Ainda que Ceuta tenha reconhecido a soberania de Castela em 1656 manteve o privilégio de continuar a usar como sua a bandeira que ali existia desde a sua conquista em 1415, a qual tinha o escudo com as armas de Portugal e o preto e branco das cores da bandeira da cidade de Lisboa que tinha sido hasteada em Ceuta em 1415. Desta forma mantinha-se simbolicamente a ligação da cidade à sua origem portuguesa e à justificação histórica da sua permanência no Norte de África..Crise migratória: Felipe VI declara-se indignado e pede a Sánchez medidas para que caso não se volte a repetir.Ceuta não é espaço Schengen, as responsabilidades da Justiça espanhola e outros factos sobre a crise