O magnata norte-americano Jeffrey Epstein ponderou mudar-se para Portugal em 2014, de acordo com uma troca de mensagens revelada em documentos agora divulgados no âmbito do processo Epstein, avançou o Expresso no semanário publicado nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. Numa conversa com a banqueira suíça Ariane de Rothschild, Epstein terá considerado a hipótese de residir em Portugal ou na Suíça, tendo demonstrado interesse, embora com reservas. “No entanto, residir em Portugal é um preço demasiado alto a pagar”, escreveu, sem especificar o motivo, segundo os registos citados pelo jornal.Os ficheiros indicam ainda que Epstein acompanhava de perto desnvolvimentos políticos em Portugal, incluindo a aprovação da lei que permite a descendentes de judeus safarditas requerer a nacionalidade portuguesa. Epstein, filho de uma família judia, terá pesquisado o tema em 2015.Ainda de acordo com os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, algumas vítimas de Epstein terão estado alojadas em hotéis de luxo em Lisboa, no Porto e em Ponta Delgada, com viagens e estadias pagas pelo próprio. As mensagens referidas pelo semanário sugerem que o criminoso sexual - falecido em 2019, quando estava detido - controlava de perto os seus movimentos, embora não exista confirmação de que tenha estado em Portugal nas mesmas datas.Os laços de Epstein com Portugal surgem ainda associados a contactos pessoais, incluindo funcionários domésticos de origem portuguesa e brasileira, a quem terá pagado várias viagens internacionais. De acordo com o Expresso, uma antiga colaboradora portuguesa, Maria Gomes de Melo, negou, em declarações à imprensa britânica, ter presenciado comportamentos impróprios envolvendo menores."Nunca vimos nada de impróprio com mulheres menores de idade em cerca de 20 anos, nem em Nova Iorque, nem na sua ilha privada, nem em Paris", afirmou Melo, que assegurou que as jovens iam “fazer massagens e cortar as unhas” a Epstein, mas "parava tudo por aí".O jornal menciona outra ligação a Portugal referida nos ficheiros, quando o jato privado de Epstein, conhecido como “Lolita Express”, realizou escalas técnicas em Santa Maria, nos Açores, em 2002 e 2003. Nessas viagens seguiam várias figuras da política norte-americana, incluindo Bill Clinton. Um porta-voz do ex-presidente afirmou que se tratou de deslocações relacionadas com trabalho da Clinton Foundation.“Apanhei esse avião com Epstein e o meu marido. Mas não havia raparigas jovens. Havia o piloto, o copiloto, ele, um assistente e só eu. Era tudo", complementou a antiga colaboradora do financeiro, figura central no furacão que está a abalar as estruturas políticas norte-americanas - e não só. .Ex-primeiro-ministro da Noruega acusado de corrupção agravada por ligações a Epstein.Caso Epstein. Democratas exigem investigação a “espionagem” pelo Departamento de Justiça