Num tom de forte condenação, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, responsabilizou diretamente a retórica do Partido Democrata e de sectores da comunicação social pela tentativa de assassinato contra o presidente Donald Trump, ocorrida durante o jantar da Associação de Correspondentes, na noite de sábado (madrugada de domingo em Lisboa). Para a administração, o ataque não foi um incidente isolado, mas o resultado de anos de incitamento à violência vindo das alas mais à esquerda do espetro partidário do país.Leavitt não poupou críticas aos líderes democratas, acusando-os de estarem a "pedir uma guerra contra o Presidente e os seus apoiantes". Segundo a porta-voz, a violência política que o país testemunha tem origem numa "demonização sistémica" que dura há 11 anos, legitimada por comentários diários de figuras públicas e políticos de esquerda."Quando temos pessoas em posições de poder a dizer estas coisas todos os dias, estão a inspirar a violência por parte de indivíduos que já sofrem de doenças mentais", declarou Leavitt. Como exemplo do que descreveu como retórica "completamente demente", a secretária de Imprensa citou o comediante Jimmy Kimmel, que dias antes do ataque se referiu a Melania Trump como uma "viúva expectante"..Melania Trump critica Jimmy Kimmel após piada sobre “viúva expectante”.Segurança Interna "bloqueada"Além do ambiente ideológico aceso, a Casa Branca aponta ainda falhas operacionais causadas pela política partidária no Congresso. Leavitt atacou os democratas pelo bloqueio no financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que se encontra sem verbas há 73 dias — o "shutdown" mais longo de uma agência federal na história dos EUA.A porta-voz sublinhou que o Serviço Secreto, uma componente vital do DHS, foi diretamente afetado por este "jogo político imprudente". "Se os Republicanos tivessem tirado financiamento ao DHS e víssemos uma tentativa de assassinato contra um presidente democrata, a cobertura mediática seria implacável", afirmou, sugerindo um duplo critério na avaliação da segurança presidencial.Terceira tentativa em dois anosEste incidente marca a terceira grande tentativa de assassinato contra Donald Trump num curto espaço de tempo. Apesar de Leavitt ter assegurado que os protocolos de segurança funcionaram no momento — afinal, o autor do ataque foi parado muito antes de entrar na sala onde se encontrava o presidente e apesar de atingir a tiro um membro do Serviço Secreto este foi salvo pelo colete à prova de bala que envergava, como mandam as regras —, a mensagem central da Casa Branca é de urgência política.A administração apela a um "compromisso nacional para baixar o tom da retórica", insistindo que as divergências devem ser resolvidas através de debates e votos, e não por "balas" alimentadas pelo que Leavitt chamou de "culto de ódio da ala esquerda".