Candidatos da oposição georgiana renunciam em protesto após vitória de partido pró-russo
EPA/DAVID MDZINARISHVILI

Candidatos da oposição georgiana renunciam em protesto após vitória de partido pró-russo

O bloco Coligação para a Mudança foi a segunda força política mais votada nas eleições, recolhendo 11,3% dos votos, o que lhe dava direito a 18 lugares.
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Os primeiros 20 candidatos da lista do bloco pró-europeu Coligação para a Mudança renunciaram este domingo aos mandatos na Geórgia, em protesto contra os resultados das eleições parlamentares de sábado, ganhas pelo partido pró-russo Sonho Georgiano, no poder.

"As eleições foram falsificadas e os resultados são ilegítimos. Não queremos legitimá-los com os votos que foram roubados ao povo georgiano e renunciamos aos mandatos", afirmou a cabeça de lista do partido, Nana Malashjia.

O bloco Coligação para a Mudança foi a segunda força política mais votada nestas eleições, recolhendo 11,3% dos votos, o que lhe dá direito a 18 lugares.

A situação é uma repetição do que aconteceu nas eleições legislativas de 2020, também rejeitadas pela oposição, que boicotou os trabalhos do parlamento e organizou protestos maciços em frente à legislatura, alguns deles violentos.

O secretário executivo do Sonho Georgiano, Mamuka Midnaradze, propôs a toda a oposição que não entre no parlamento.

"Assim, haverá um bom ambiente de trabalho no parlamento, sem sabotagem. Deixem-nos retirar todas as suas listas da Comissão Eleitoral Central. E nós vamos trabalhar", afirmou.

Entretanto, as autoridades eleitorais concluíram a contagem do número total de votos, depois de anularem os resultados de uma assembleia de voto na cidade de Marneuli, onde se registou uma violação das regras eleitorais.

O Sonho Georgiano mantém a sua maioria parlamentar, com 53,92% dos votos, e os restantes quatro blocos da oposição obtiveram, em conjunto, 37,78% dos votos.

Antigo Presidente da Geórgia apela a protestos contra resultados eleitorais

O antigo Presidente pró-Ocidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, agora preso e figura crítica do Governo, apelou aos protestos após a vitória do partido no poder, contestada pela oposição.

"Esta é a hora para protestos em massa. Devemos mostrar ao mundo que lutamos pela liberdade e que somos um povo que não tolera a injustiça", escreveu Saakashvili numa mensagem na rede social Facebook.

O partido Sonho Georgiano, que apoia o Governo na Geórgia, ganhou as eleições legislativas com 54,08% dos votos, derrotando a coligação pró-europeia, que se recusou a admitir a derrota.

Logo na noite de sábado, perante os primeiros resultados do ato eleitoral, a oposição contestou a vitória do Sonho Georgiano, considerando que houve "resultados distorcidos".

"Não reconhecemos resultados distorcidos de eleições roubadas", declarou a líder do MNU, Tina Bokuchava, enquanto o líder do partido Akhali, denunciou "uma usurpação do poder e um golpe constitucional".

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