O presidente ucraniano autorizou os Serviços de Segurança da Ucrânia (SBU) a prosseguirem novas operações contra alvos russos, no dia em que terminou a campanha de 40 dias de ataques a média e longa distância, levada a cabo pela agência, e cujo objetivo era pressionar a Rússia a ir para a mesa das negociações. Nesse período foram atacadas seis refinarias, depósitos de combustível, sistemas de defesa aérea, aeródromos militares, hangares com drones, dois aviões Su-35, navios de apoio e instalações do FSB, a agência de segurança herdeira do KGB. Mas também um novo alvo, não militar, os armazéns Wildberries, a rede russa equivalente à Amazon. Em contrapartida, julho foi o mês em que a Ucrânia mais foi atacada por bombas guiadas, 8300.No dia 25 de junho, Volodymyr Zelensky anunciou o início de “uma campanha de influência de 40 dias contra o estado agressor, com o objetivo de o convencer a acabar com a guerra”. Esse objetivo ficou longe de ser atingido. Até agora não foi feito um balanço oficial da operação entregue ao SBU, mas o presidente ucraniano elogiou “os bons resultados alcançados”, motivo pelo qual aprovou “novas operações”, embora não tenha dito quais. O SBU disse que os seus drones aéreos e navais atacaram infraestruturas petrolíferas russas, instalações militares e navios ligados à frota fantasma. Dados obtidos em fontes abertas e comunicados oficiais apontam para um leque mais variado de alvos. Os armazéns Wildberries serão talvez a face mais visível desta nova vaga de ataques. Desde 18 de julho, Kiev apontou para 15 destes armazéns, tendo atingido 13, o último dos quais na terça-feira, em Krasny Bor, perto de São Petersburgo. Segundo o governo ucraniano, os armazéns — que vendem drones e algum material de tipo militar — fazem parte da logística militar russa. Além disso, há quem aponte para o desgaste financeiro que estes ataques produzem. O banco estatal VTB tem uma “parceria estratégica” com a empresa, incluindo uma participação no banco WB. “Cada um dos 111 milhões de eleitores da Federação Russa já deve hoje às autoridades 146 dólares por causa da Wildberries”, disse o comandante da unidade de drones do SBU ‘Madyar’ Brovdi. Já Denys Shtilerman, um dos proprietários da empresa de armamento Fire Point, disse à agência UNN que, se a Ucrânia “acabar” com a Wildberries e o seu rival Ozon, tal vai “causar o colapso do sistema bancário” porque as duas empresas estão na lista dos principais devedores.A campanha de drones do SBU, paralela às operações das restantes forças armadas, atingiu um armazém não identificado em Tchekhov, na região de Moscovo, tendo matado pelo menos cinco pessoas. Se Kiev quer ferir a indústria petrolífera e minar a logística rusa ao ponto de levar os dirigentes russos à mesa das negociações, do outro lado, Vladimir Putin conta com a produção de mísseis balísticos para atacar centros habitacionais e infraestruturas energéticas para desmoralizar a Ucrânia. “É como se fosse o 12.º round e cada pugilista espera que o adversário caia primeiro”, comparou Denys Shmyhal, ministro da Energia, ao site Politico. O antigo primeiro-ministro não se mostra otimista quanto às operações para pressionar o Kremlin ao ponto de se chegar a um cessar-fogo antes do inverno. E disse que, depois de a Rússia ter destruído 80% da capacidade de produção de energia, o objetivo agora é “destruir o abastecimento de água” ucraniano.NATO é miragem, diz Zaluzhnyi A Ucrânia “nunca” irá entrar na Aliança Atlântica, considerou o antigo chefe das forças armadas do país e atual embaixador no Reino Unido, Valerii Zaluzhnyi. “Eu conheço muito bem a NATO. Durante cerca de 12 anos, trabalhei pessoalmente para garantir que cumpríssemos os padrões da NATO, e todos os anos ouvia histórias sobre como iríamos entrar na NATO a qualquer momento. Infelizmente, nunca iremos realmente entrar”, afirmou durante uma reunião de diplomatas ucranianos. Para o general — visto como potencial candidato à presidência —, além da impossibilidade da adesão, a aliança militar também não corresponde às necessidades do seu país, uma vez que “é uma organização orientada por doutrinas da Segunda Guerra Mundial”. .Zelensky quer aproximar-se de Xi (e de Lula) com a meta no cessar-fogo