A cimeira realiza-se em Nova Deli.
A cimeira realiza-se em Nova Deli.EPA/ALEXANDER KAZAKOV/SPUTNIK/KREMLIN

BRICS: Putin defende alargamento do Conselho de Segurança. XI apela a oposição a "violações de soberania"

Na cimeira dos chefes de Estado e governo do auto-intitulado Sul global o primeiro-ministro indiano ainda pediu um roteiro para reformar a governação mundial
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O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu este sábado (12 de setembro) o alargamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas durante a sua intervenção na cimeira do grupo BRICS, em Nova Deli, na Índia.

“Consideramos necessário continuar a promover, juntamente com os nossos parceiros dos BRICS, a melhoria do desempenho da ONU. Naturalmente, o alargamento do Conselho de Segurança e a inclusão de representantes de países da Ásia, África e América Latina ajudariam nesse sentido”, declarou Putin, citado pela Efe. 

O líder russo, que na véspera se reuniu com vários dirigentes que participaram na cimeira em Nova Deli, afirmou que a formação de um mundo multipolar enfrenta vários desafios.

Segundo Putin, tal deve-se à “resistência daqueles que estão habituados a pensar em termos coloniais, dividindo, essencialmente, o mundo entre um jardim florescente e uma selva selvagem e vivendo à custa dos outros”.

“Recusam-se a aceitar a realidade em mudança e procuram conter os seus concorrentes em crescimento por todos os meios possíveis. Recorrem a todo o tipo de artimanhas, incluindo guerras tarifárias, sanções ilegítimas, tentativas de ditadura económica, chantagem, ingerência nos assuntos internos e, simplesmente, força bruta”, afirmou.

Além disso, acrescentou Putin, estão a ser reavivadas tensões antigas, provocando novos conflitos e divergências.“Como resultado, todo o sistema de relações internacionais está a falhar. A eficácia de várias estruturas e instituições multilaterais está a diminuir”, apontou.

“Perante isto, a Rússia atribui uma importância excecional à preservação e ao reforço do papel central das Nações Unidas nos assuntos mundiais”, salientou.

O grupo dos BRICS tem como membros o Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Irão, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

XI apelou aos países BRICS para se oporem a violações da soberania

Já o presidente chinês, Xi Jinping, declarou que os Estados-membros devem opor-se "às violações” da soberania e trabalhar para preservar a paz, informou a agência de notícias oficial Xinhua.

Durante a cimeira, o presidente indicou que os BRICS devem “opor-se às violações da soberania de outros países e à ingerência nos seus assuntos internos, e participar de forma construtiva na resolução das questões mais prementes”, segundo a Xinhua.

O presidente chinês declarou ainda que a guerra no Médio Oriente, desencadeada pelos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão no final de fevereiro, não serve os “interesses comuns”.

“À medida que a situação no Médio Oriente e na região do Golfo continua a evoluir, a guerra que aí decorre causou pesadas perdas às populações de toda a região”, declarou o Presidente chinês em Nova Deli, numa altura em que a capital indiana acolhe uma cimeira dos BRICS, na qual participa, entre outros, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian. “Não serve os interesses comuns da comunidade internacional”, acrescentou.

Xi Jinping apelou ainda aos 11 países membros dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão) para “rejeitarem todas as formas de protecionismo”, menos de duas semanas antes da visita prevista a Washington, um importante rival comercial de Pequim.

“Devemos apoiar o sistema comercial multilateral, que tem a Organização Mundial do Comércio no seu centro, e rejeitar todas as formas de protecionismo", declarou o Presidente chinês.

PM indiano pede um roteiro para reformar a governação mundial

O primeiro-ministro (PM) indiano apelou, por sua vez, aos países do bloco BRICS para transformarem a “pirâmide de privilégios” da governação mundial e propôs a elaboração de um roteiro com dez propostas de reforma até à próxima cimeira.

“A atual estrutura da governação mundial parece uma pirâmide. No topo concentram-se o poder e a tomada de decisões. E na base encontram-se os países que são afetados por essas decisões, mas não podem influenciá-las”, afirmou Narendra Modi na abertura da primeira sessão da cimeira de líderes, citado pela Efe.

Modi afirmou que o roteiro deve estruturar-se em torno de três eixos — representação, capacidade de resposta e elaboração de normas — para aumentar o peso das economias emergentes nas instituições internacionais.

“A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas já não pode ser adiada”, sublinhou também o chefe do Governo indiano, que pediu que as negociações sobre a reforma sejam associadas a prazos definidos e resultados concretos.

Modi defendeu também que o poder de voto, os cargos de liderança e as prioridades das instituições financeiras internacionais reflitam melhor o peso atual das economias que impulsionam o crescimento mundial.

A Índia, que exerce este ano a presidência rotativa do bloco, defendeu que os BRICS transformem o consenso interno em resultados concretos à escala mundial e que o Sul global deixe de se limitar a aceitar normas para participar também na sua elaboração.

“O Sul global encontra-se hoje na primeira fila das crises mundiais, mas na última fila da tomada de decisões”, afirmou Modi, antes de pedir que essa “pirâmide de privilégios” se transforme numa “plataforma de parceria”.

O primeiro-ministro insistiu ainda que os BRICS “não estão contra ninguém” e devem avançar integrando todos, uma formulação com a qual Nova Deli procura apresentar o bloco como uma plataforma de reforma do sistema internacional e não como uma aliança de confronto.

Declaração de Nova Deli aprovada por Unanimidade

Os líderes dos países BRICS aprovaram, por unanimidade, a declaração de Nova Deli, num encontro onde o consenso entre as 11 nações era o principal desafio.

Durante a sessão plenária deste sábado, que decorreu na sala principal do centro de convenções Bharat Mandapam, em Nova Deli, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou que tinham já a minuta da declaração, explicando que o texto reflete a essência das decisões e posições sobre as principais questões mundiais e regionais. 

Nenhum dos representantes apresentou objeções, tendo sido a Declaração de Nova Deli aprovada por unanimidade pelos chefes de Estado do bloco, incluindo o Presidente chinês, Xi Jinping, o homólogo russo, Vladimir Putin, e o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

A aprovação deste documento, segundo a Efe, pôs fim a algumas questões que estavam ainda em aberto antes da reunião de líderes, sendo o consenso o principal desafio deste encontro, uma vez que estiveram representados 11 países com posições distintas sobre os principais conflitos internacionais, como a guerra no Médio Oriente e na Ucrânia.

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