Em Minas Gerais, em cidades como Juiz de Fora e Ubá – na zona da mata mineira – choveu em 14 horas o mesmo volume esperado para todo o mês de fevereiros. Foram 190 milímetros de água que devastaram a região, deixaram mais de 400 desalojados e, até à hora em que este texto foi publicado, 22 mortos.No Rio de Janeiro, o cenário foi idêntico, com a capital daquele estado a registar dezenas de ocorrências e cheias, e com a principal estrada que liga o Rio de Janeiro a São Paulo, a rodovia presidente Dutra, a ficar interditada durante várias horas. Ali, o número de desalojados fixa-se nos 600, com apenas uma morte a ser registada – uma idosa com dificuldades de locomoção terá ficado presa na sua casa e terá falecido por afogamento.Em São Paulo, as autoridades estão em estado de prontidão devido à possibilidade de deslizamentos de terras e de continuação de chuva. Entre sábado passado, 21 de fevereiro, e segunda-feira, 23 de fevereiro, choveu em Peruíbe, região do litoral de São Paulo, um acumulado de 282 milímetros de chuva, um valor 46% acima do que a média esperada para o mês de fevereiro. .Num dia em que as previsões continuam a dar chuvas intensas, os moradores destes três estados estão em alerta máximo – o estado de calamidade foi decretado em grande parte das regiões. Informações do jornal Folha de São Paulo, que cita um meteorologista, salientam que em 72 horas, os volumes de chuva que caíram em muitas das cidades destes três estados variaram entre 205 e 230 milímetros, patamar que supera a média histórica mensal de entre 170 e 200 milímetros.Tal como aconteceu com a tempestade Kristin e o posterior ‘comboio de tempestades’ em Portugal, estes fenómenos extremos foram provocados por um conjunto de variáveis que se juntaram, provocando um episódio absolutamente fora do normal. Os especialistas avisam para a recorrência destes eventos extremos, que se têm tornado mais intensos e mais frequentes, e que muitas vezes nem dão tempo aos elementos naturais – como os solos e a flora – para se recuperarem e atuarem como preventivos.Numa altura em que o Brasil se preparava para iniciar oficialmente ano de 2026 – há sempre ali uma espécie de intervalo entre o dia 1 de janeiro e o Carnaval, que se celebrou na semana passada – estes episódios de mau tempo obrigaram a uma ação musculada do Executivo de Luiz Inácio ‘Lula’ da Silva e dos governos estaduais, que montaram gabinetes de crise para responder às necessidades mais imediatas.Com o presidente brasileiro fora do país – está em visita oficial à Índia e à Coreia do Sul – as palavras de solidariedade chegaram via redes sociais..“Durante escala de viagem em Abu Dhabi, tomei conhecimento da situação das famílias da zona da mata mineira após as fortes chuvas das últimas horas. E determinei pronta mobilização do governo do Brasil para auxiliar a população da região. Uma equipe de coordenação da Força Nacional do SUS já está a caminho", escreveu no X."Quero enviar meus profundos sentimentos às famílias que perderam seus lares e, o que é pior, os seus entes queridos. E me solidarizar com as autoridades e forças de segurança mineiras que estão trabalhando no resgate e no atendimento imediato à população prejudicada pela chuva", escreveu ainda..Contas do mau tempo continuam a subir. IP mobiliza 2000 operacionais e responde a 4200 ocorrências.Mau tempo: estimativas apontam para 90.000 alunos afetados pelo encerramento parcial ou total das escolas