Keir Starmer à saída do número 10 de Downing Street a caminho do Parlamento.
Keir Starmer à saída do número 10 de Downing Street a caminho do Parlamento.FOTO: EPA/ANDY RAIN

Badenoch ataca Starmer e todos à sua volta: "Seja quem for o líder, o verdadeiro problema é o Labour"

Primeiro-ministro britânico esteve debaixo de fogo da líder dos conservadores, na primeira audição no Parlamento após anunciar a demissão. Starmer continuará deputado quando sair de Downing Street.
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A líder da oposição britânica, Kemi Badenoch, não se limitou a atacar e a humilhar o primeiro-ministro, Keir Starmer, na primeira audição no Parlamento após este ter anunciado, na segunda-feira (22 de junho), a sua demissão.

A líder do Partido Conservador atacou a ministra das Finanças, Rachel Reeves, o ministro da Energia, Ed Miliband, a titular da pasta da Educação, Bridget Philipson, e toda a bancada trabalhista, que acusou de esfaquear Starmer pelas costas.

"Seja quem for o líder, o verdadeiro problema é o Labour", disse Badenoch, obrigando Starmer a sair em defesa dos seus ministros e das conquistas que alcançou enquanto chefe do governo.

Badenoch começou a sua intervenção dizendo que está muito mais feliz com o seu novo deputado, Douglas Lumsden, eleito por Aberdeen South (que era do Partido Nacionalista Escocês), do que Starmer deve estar com o seu, referindo-se a Andy Burnham, que foi eleito por Makerfield e agora é o favorito a suceder-lhe no número 10 de Downing Street. Burnham não esteve no Parlamento.

O primeiro-ministro disse estar "muito satisfeito" com o novo membro do Parlamento, rindo-se do resultado dos conservadores em Makerfield (2,2%). "A este ritmo o Partido Conservador vai precisar de 500 anos para voltar ao poder", disse Starmer, com Badenoch a responder que Lumsden conseguiu mais de 50% no seu círculo eleitoral.

A líder da oposição questionou o primeiro-ministro com o Plano de Investimento de Defesa, que está atrasado e que foi alvo de críticas pelo ex-ministro desta pasta, que se demitiu há menos de 15 dias. John Healey acusou Starmer de ser "incapaz" de financiar a defesa do país.

O primeiro-ministro insiste que o plano estará pronto antes da Cimeira da Nato, a 7 e 8 de julho, que deverá ser o último evento internacional em que Starmer participa, e que o seu governo foi responsável pelo maior aumento sustentado dos gastos com a Defesa desde a década de 1980, citando os 270 mil milhões de libras que prevê sejam gastos durante esta legislatura.

Badenoch atacou depois a ministra das Finanças, Rachel Reeves, dizendo que Starmer não estaria na confusão que está se ela tivesse "encontrado dinheiro" para o plano de Defesa e não tivesse elaborado um "orçamento desastroso" que "matou o crescimento económico".

Trocas de acusações

A líder do Partido Conservador lembrou ainda que, apesar de Reeves viver ao lado do primeiro-ministro (no número 11 de Downing Street), não esteve ao seu lado no anúncio da demissão, tendo-o abandonado para se preparar para ir tirar uma selfie com Burnham.

"Esta é a ministra que acabou com a austeridade", respondeu Starmer, defendendo as suas conquistas enquanto "a economia que cresceu mais rápido dentro do G7". E lembrou como ambos pegaram no partido há seis anos, após a pior derrota desde 1935, e conseguiram uma "vitória esmagadora" nas eleições de 2024.

Badenoch passou depois para Miliband, que acusou de estar a "matar a indústria" enquanto ministro da Energia e de ter "saltado para a cama" de Burnham, questionando se esta traição devia ser "recompensada" por um cargo no futuro governo (especula-se que pode ser ministro das Finanças).

O próximo alvo foi a ministra da Educação, que Badenoch acusou de aumentar os impostos às escolas privadas para financiar mais professores, sem sucesso, com o número destes profissionais a cair. E citou uma sondagem que diz que 0% dos professores acham que a ministra está a fazer um bom trabalho.

Starmer defendeu que "o teste para qualquer primeiro-ministro é deixar o país numa situação melhor do que a que encontrou". E que vai conseguir fazer isso, ao contrário dos chefes de governo conservadores.

Mas Badenoch responde: "Mais uma vez, preciso de perguntar: se tudo é tão fantástico, porque é que ele se demite?", explicando que nunca viu tanta animação e excitação nas bancadas trabalhistas "Aplaudindo tão alto enquanto há 400 facas cravadas nas suas costas. O primeiro-ministro sente-se traído pelas pessoas que elegeu para o Parlamento?", questionou.

O último alvo foram precisamente os deputados trabalhistas. "Ele mudou de ideias vezes sem conta para tentar agradar-lhes, e agora abandonaram-no", disse Badenoch. "E porquê? Por causa de um par de pestanas e uma T-shirt preta", acrescentou, numa referência a Burnham.

"Não é verdade que, seja quem for o líder, o verdadeiro problema é o Labour?", perguntou Badenoch. Entretanto, o gabinete do primeiro-ministro confirmou que quando ele deixar o poder vai continuar a ocupar o cargo de deputado.

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