Keir Starmer anunciou a demissão.
Keir Starmer anunciou a demissão.FOTO:EPA/TOLGA AKMEN

Reino Unido: seis primeiros-ministros desde o referendo do Brexit há dez anos. Sucessor de Starmer será o 7.º

Dois anos após ter conquistado uma maioria eleitoral, trabalhista anunciou que vai deixar a liderança do partido e do governo. Andy Burnham, o "Rei do Norte", poderá ser "coroado" se não tiver rival.
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Desde o referendo do Brexit, a 23 de junho de 2016, que nenhum primeiro-ministro britânico termina o seu mandato. Nos últimos dez anos, seis já passaram pelo número 10 de Downing Street e o sétimo já está a caminho, após a demissão do trabalhista Keir Starmer.

David Cameron

David Cameron
David CameronFOTO: DR/X/David Cameron

O primeiro-ministro conservador que prometeu no manifesto eleitoral, em 2015, o referendo do Brexit e fez campanha para continuar na União Europeia (UE), demitiu-se depois de os britânicos terem votado há uma década para sair.

Tinha assumido a liderança do governo em 2010, após a demissão de Gordon Brown, fazendo uma coligação com os liberais-democratas. Em 2015, depois de um mandato completo (foi o último a cumprir um) conseguiu a maioria com a tal promessa do referendo, acabando por anunciar a demissão a 24 de junho de 2016 (um dia depois da ida às urnas sobre o Brexit). Saiu a 13 de julho.

Theresa May

Theresa May.
Theresa May.FOTO: LUSA/ANTONIO COTRIM

A ex-ministra do Interior avançou para a corrida à liderança dos Tories, acabando por ser aclamada após a adversária (Andrea Leadsom) desistir antes de os militantes conservadores serem chamados a votar.

O seu mandato foi marcado pelas negociações para concretizar o Brexit. À procura de legitimidade, May acabou por convocar eleições para junho de 2017, que resultaram num parlamento dividido (deixando-a dependente do apoio do Unionistas da Irlanda do Norte).

Incapaz de fazer passar o acordo do Brexit no Parlamento, acabou por anunciar a demissão a 24 de maio de 2019. Saiu a 24 de julho.

Boris Johnson

Boris Johnson.
Boris Johnson.FOTO: DR/X/Boris Johnson

O antigo mayor de Londres foi um dos rostos da campanha do Brexit e lançou-se na corrida à sucessão com a promessa de conseguir finalmente o "divórcio" da UE. Foi eleito pelos militantes conservadores com 66% dos votos, derrotando Jeremy Hunt.

Em dezembro de 2019, cinco meses após tomar posse, conseguiu uma maioria sólida nas eleições que convocou para conseguir cumprir a promessa. O Brexit concretizou-se a 31 de janeiro de 2020.

Mas depois veio a pandemia e as polémicas festas e outros escândalos, que destruíram a sua imagem e o levaram à demissão a 7 de julho de 2022.

Liz Truss

Liz Truss
Liz TrussDR/X/Liz Truss

Tem o recorde de mais curto mandato (49 dias), tendo ficado no cargo apenas entre 6 de setembro de 2022 (após derrotar Rishi Sunak nas eleições internas com 57% dos votos) e 25 de outubro de 2022.

Para a história o facto de ser a primeira-ministra quando a rainha Isabel II morreu a 8 de setembro e o controverso mini-orçamento que apresentou, causando o caos nos mercados financeiros e culminando na sua demissão.

Rishi Sunak

Rishi Sunak
Rishi SunakFOTO: EPA/NEIL HALL

Depois de ter sido segundo na corrida à liderança com Truss, acabou por ser aclamado depois de os adversários desistirem. Foi o primeiro chefe do governo britânico de origem asiática (os pais são de origem indiana).

Prometeu cortar a inflação e impulsionar o crescimento económico (e conseguiu), mas falhou nas outras três promessas: reduzir a dívida pública, diminuir as listas de espera no serviço nacional de saúde e impedir a entrada de imigrantes ilegais. Demitiu-se da liderança do partido conservador após perder as eleições de 2024.

Keir Starmer

O trabalhista chegou ao poder nas eleições de 4 de julho de 2024, reconstruindo o partido após a derrota de 2019 para conseguir uma maioria expressiva (só ficou aquém da de Tony Blair em 1997).

Mas liderar essa maioria parlamentar e o Reino Unido não se revelou fácil, com queixas de que não ouvia os deputados e que não tinha a capacidade de decisão rápida. Foi eleito com a promessa de mudança, mas os eleitores não a sentiram. No final, não resistiu à pressão interna, anunciando a demissão a 22 de junho de 2026.

E agora?

O próximo primeiro-ministro, o sétimo desde o referendo do Brexit, será eleito (ou "coroado"?) pelos trabalhistas.

Menos de uma semana depois de ter vencido as eleições em Makerfield que lhe permitiram regressar ao Parlamento (toma posse esta segunda-feira, 22 de junho), Andy Burham já anunciou que quer ser eleito líder do partido (e assumir a chefia do governo).

A dúvida é saber se o "Rei do Norte", como é conhecido após ter sido autarca da região de Grande Manchester, terá adversários ou não. Se não tiver, haverá uma "coroação", podendo entrar no número 10 de Downing Street no prazo de um mês.

Larry, o gato

A constante neste últimos dez anos (aliás, desde 2011) é o gato de Downing Street, Larry, que tem mais de 800 mil seguidores no X. Larry já "aceitou" à demissão de Starmer, questionou quantas refeições Burnham lhe vai dar e lembrou os seis inquilinos que passaram pelo número 10.

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