"Vote no Andy. Por nós.” Este é o slogan de campanha do trabalhista Andy Burnham na corrida ao lugar de deputado pelo círculo eleitoral de Makerfield. Mas este “nós” não são apenas os cerca de 76 mil eleitores chamados esta quinta-feira (18 de junho) às urnas. São os quase 70 milhões de britânicos, já que o seu objetivo vai muito para lá desta zona da região de Grande Manchester (de que é autarca). Burnham não esconde que, se vencer e voltar ao Parlamento, vai desafiar Keir Starmer na liderança do Labour e, consequentemente, do Governo britânico. Os 76 mil eleitores de Makerfield têm nas mãos a decisão sobre quem poderá ser o próximo primeiro-ministro. Estas eleições especiais, convocadas depois de um deputado trabalhista abdicar do seu lugar para abrir a porta a Burnham poder regressar ao Parlamento, são o primeiro obstáculo que o “Rei do Norte” (como é conhecido) tem que ultrapassar. E quem está a fazer tudo para que não tenha sucesso é o Reform UK, de Nigel Farage. O partido de extrema-direita voltou a apostar na candidatura de Robert Kenyon, um canalizador local que se diz pronto para enfrentar o “Rei do Norte” - mas que foi criticado por vários comentários sexistas e não só nas redes sociais. Todas as sondagens dão a vitória a Burnham, com uma vantagem que vai dos três pontos aos cinco ou até aos 12 pontos. Este círculo eleitoral sempre foi Labour (em 2024 o partido ganhou ali por 13,4 pontos), mas nas últimas eleições locais o Reform foi o mais votado nesta área que, há dez anos, defendeu o Brexit.O voto tático pode ajudar a explicar as sondagens, porque apesar de os Liberais-Democratas e os Verdes também irem a votos (há, no total, 14 candidatos), os seus eleitores estão inclinados a votar no Labour - não para que Burham seja primeiro-ministro, mas para evitar uma eventual vitória do Reform. Por seu lado, o partido de Farage enfrenta a ameaça do Restore Britain (criado pelo deputado Rupert Lowe, que saiu do Reform em choque com o líder). Nas sondagens, este partido surge com entre 5% e 7%, dividindo o voto da extrema-direita. E isso ajuda Burnham, visto por muitos como o favorito dentro do Partido Trabalhista para suceder a Starmer. O primeiro-ministro está debaixo de fogo há meses. Por um lado a economia não está a crescer e está sempre a recuar nas políticas que anuncia, por outro porque nomeou um amigo do pedófilo Jeffrey Epstein como embaixador dos EUA. .Do ambicioso ex-ministro à “rainha vermelha” ou o “rei do Norte”: quem vai desafiar Starmer?.A pressão acentuou-se desde a derrota histórica nas eleições locais de maio, que levaram uma centena de deputados trabalhistas a retirar-lhe a confiança. O número já é suficiente para que, se todos apoiarem um outro candidato, haja eleições para a liderança do partido. Isso só ainda não aconteceu porque o favorito, o Rei do Norte, não estava no Parlamento (em fevereiro o partido impediu-o de concorrer noutro círculo eleitoral) - e, por isso, não podia desafiar o líder. Starmer, ciente da ameaça que Burnham representa, avisou esta quarta-feira (17 de junho) contra o lançamento imediato de uma corrida à liderança, instando-o e ao partido a focarem-se nas eleições para a Grande Manchester. Burnham terá que deixar o cargo de autarca se ganhar, desencadeando eleições (previsivelmente no início de agosto). “Espero que ganhe as eleições”, disse Starmer sobre o “Rei do Norte”, dizendo que ele tem “um papel importante” a desempenhar no Governo. Na prática, a oferecer-lhe um emprego para tentar evitar ir a votos.Mas uma eventual derrota de Burnham não significa que o primeiro-ministro fique a salvo da revolta interna. Nesse cenário, o ex-ministro da Saúde Wes Streeting deverá avançar - aliás, ele já disse que está preparado, só não tendo avançado antes para dar uma oportunidade de Burnham participar também. Isto apesar de as sondagens dentro do Labour mostrarem que o “Rei do Norte” é claramente favorito entre os militantes, havendo a possibilidade de Starmer vencer se o adversário for Streeting. O primeiro-ministro já disse que vai lutar contra qualquer adversário.As urnas abrem esta quinta-feira (18 de junho) às 7h00 e fecham às 22h00, com os resultados a ser esperados durante a madrugada de sexta-feira (19 de junho)..Deputado demite-se para dar ao "rei do Norte" oportunidade para voltar ao Parlamento e desafiar Starmer.Starmer desafia críticos a lançar corrida à liderança. O que é preciso para o fazer?