As autoridades francesas realizaram esta terça-feira, 3 de fevereiro, buscas nas instalações da rede social X em França e convocaram o seu proprietário, o multimilionário Elon Musk, para depor em tribunal, no âmbito de uma investigação sobre o funcionamento dos algoritmos da plataforma.A Procuradoria de Paris fez o anúncio numa mensagem na própria plataforma X , na qual anuncia também que deixará de utilizar a rede social adquirida por Musk (e anteriormente conhecida como Twitter) para migrar para outras como Instagram ou LinkedIn. .A investigação, conduzida pela secção de combate à cibercriminalidade da Procuradoria de Paris, em conjunto com a unidade nacional ciber da políca francesa e com o apoio da Europol, procura apurar se o algoritmo da rede social terá sido manipulado para favorecer determinados conteúdos, facilitando ingerências estrangeiras em eleições ou assuntos nacionais e distorcendo o debate público.Elon Musk e a antiga diretora-executiva da X, Linda Yaccarino, foram convocados para prestar declarações no próximo dia 20 de abril, no que a justiça francesa designa como “audições livres”, um regime em que não é obrigatória a presença física nem existe, para já, o estatuto de arguido. Vários trabalhadores da plataforma deverão também ser ouvidos como testemunhas nas mesmas datas.A investigação teve origem em denúncias apresentadas por responsáveis políticos franceses, entre os quais o deputado Éric Bothorel, do partido Renascimento, do presidente Emmanuel Macron, que alertou para alterações no algoritmo após a aquisição da empresa por Musk, em 2022. Essas mudanças, acusa, terão reduzido a diversidade e favorecido conteúdos considerados extremos, levantando dúvidas sobre os critérios do algoritmo e a transparência dos critérios de moderação.O inquérito foi posteriormente alargado ao funcionamento do Grok, a ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pela X. As autoridades investigam a eventual difusão de conteúdos ilegais, incluindo imagens de carácter sexual geradas por inteligência artificial, conteúdos negacionistas e, em casos mais graves, a possível circulação de conteúdo sexual a envolver menores.