A Rússia, o segundo maior produtor de petróleo no mundo, vai passar a importar gasolina da Índia para suprir a carência causada pelos continuados ataques de drones ucranianos às refinarias e depósitos.Uma fonte da indústria disse à Reuters que dois petroleiros foram enviados da Índia, cada um com uma capacidade entre 30 mil e 40 mil toneladas. Uma outra fonte disse que a Rússia planeia importar um total de 400 mil toneladas de gasolina por mês de vários países, incluindo da Bielorrússia, que já estará a exportar combustível para a Rússia. O consumo diário de gasolina na Rússia, durante o verão, é de pelo menos 110 mil toneladas. Em junho, a quantidade de petróleo bruto que a Rússia transformou em combustível caiu 25% em relação ao ano passado, para 3,95 milhões de barris por dia. Segundo o analista de mercados da Energy Intelligence Gary Peach, citado pelo Los Angeles Times, este é o nível mais baixo em mais de duas décadas. “As interrupções são extraordinárias”, comentou. .“Eles dizem uma coisa na televisão, e a realidade é outra. As pessoas estão em filas por todo o lado”, disse um motorista russo sobre a falta de combustível..No domingo, Vladimir Putin admitiu que o seu país atravessa “um certo défice” de combustível, e disse que foi imposta uma proibição total da exportação de gasolina. Ainda assim, desvalorizou a situação, ao afirmar que “não é crítica”. Mas o russo comum que passa horas em filas para abastecer tem outra perceção. “Eles dizem uma coisa na televisão, e a realidade é outra. As pessoas estão em filas por todo o lado”, disse à AP um motorista sob anonimato por motivos de segurança. .Putin admite escassez de combustíveis devido a ataques da Ucrânia contra refinarias russas.A importação de combustível da Índia é um revés de enorme simbolismo: após a entrada em vigor das sanções ocidentais contra a indústria petrolífera russa, a Turquia, a China e em especial a Índia passaram a adquirir mais crude russo, a preços de saldo. Aliás, em junho a Índia bateu o recorde de importação de petróleo — 4,93 milhões de barris por dia —, sendo 53% proveniente da Rússia.Nas últimas semanas, Kiev intensificou os ataques a refinarias, depósitos de combustível, terminais e até petroleiros da chamada frota fantasma. Os pontos mais afetados foram Novorossiysk, Krasnodar e a Crimeia ocupada. A Associated Press conta mais de 50 ataques reportados pela Ucrânia desde março. Na quarta-feira, as forças ucranianas atingiram a refinaria de Ufa, a 1300 quilómetros da linha da frente, pela segunda vez numa semana, segundo o presidente Volodymyr Zelensky. Kiev também atingiu uma fábrica que produz componentes de mísseis na região russa de Penza, a sudeste de Moscovo, a cerca de 600 quilómetros da Ucrânia. “Esta é uma resposta justa a tudo o que a Rússia está a fazer contra nós”, disse Zelensky. “Precisamos de paz, e a Rússia tem de acabar com esta guerra.” .Carlos Branco: “A Europa está mais perto da confrontação com a Rússia do que da solução política”