Ataque "maciço" russo a Kiev faz quatro mortos. Moscovo usa sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik
Serviço de emergência da Ucrânia

Ataque "maciço" russo a Kiev faz quatro mortos. Moscovo usa sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik

A embaixada do Qatar em Kiev foi danificada, assim como 20 edifícios habitacionais, informou Zelensky. "É necessária uma reação clara do mundo. Acima de tudo, dos EUA", pediu o presidente ucraniano.
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Um ataque da Rússia à Ucrânia fez esta sexta-feira, 9 de janeiro, quatro mortos em Kiev. Além da capital ucraniana, Moscovo também atingiu infraestruturas críticas na cidade ocidental de Lviv, usando um míssil balístico, disse o presidente da câmara, Andriy Sadoviy.

O presidente ucraniano afirmou que no "ataque maciço" da Rússia foram usados, no total, 242 drones ,"13 mísseis balísticos direcionados a instalações energéticas e infraestruturas civis, um míssil balístico de médio alcance Oreshnik, bem como 22 mísseis de cruzeiro".

"O ataque ocorreu exatamente quando havia uma onda de frio significativa" e foi "direcionado precisamente contra a vida normal das pessoas comuns", lamentou Volodymyr Zelensky, referindo que foram danificados 20 edifícios habitacionais.

Além das infraestruturas civis e instalações energéticas, o ataque atingiu "um edifício da embaixada do Qatar", que, segundo o presidente ucraniano, ficou "danificado por um drone russo". Zelensky recorda que "o Qatar é "um Estado que tanto faz para mediar com a Rússia a fim de garantir a libertação de prisioneiros de guerra e civis detidos em prisões russas".

O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, referiu que o ataque russo "é uma grave violação da Convenção de Viena", tendo considerado "que a brutalidade russa não conhece limites".

Na mensagem que divulgou nas redes sociais, o ministro mostrou imagens dos danos nas instalações da embaixada e manifestou solidariedade com a missão diplomática do Qatar, assegurando "toda a toda a assistência necessária".

O Comando Ocidental da Força Aérea da Ucrânia fez saber que o míssil balístico que visou Lviv viajou a uma velocidade de 13 mil quilómetros.

Entre os mortos encontra-se um socorrista médico, indicou o chefe da administração militar de Kiev, Tymur Tkachenko. Cinco socorristas ficaram feridos, declarou o serviço de segurança da Ucrânia.

De acordo com Zelensky, "houve um segundo ataque a um dos edifícios residenciais, precisamente no momento" em que as equipas de emergência "prestavam assistência após o primeiro ataque".

Várias áreas de Kiev foram atingidas nesta ofensiva de Moscovo, disse o chefe da administração militar de Kiev. Na zona de Desnyanskyi, um drone caiu no telhado de um prédio de vários andares. Nessa mesma área, dois primeiros andares de um prédio residencial foram danificados como resultado de outro ataque.

Em Dnipro, partes de um drone danificaram um prédio de vários andares, provocando um incêndio.

O ataque ocorreu poucas horas depois de o presidente ucraniano alertar a nação para as intenções da Rússia de levar a cabo uma ofensiva em grande escala.

"É necessária uma reação clara do mundo. Acima de tudo, dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia realmente leva em consideração", pediu Zelensky na reação ao mais recente ataque de Moscovo.

Para o presidente ucraniano, a Rússia "deve sentir as consequências" sempre que optar pelos "assassinatos" e pela "destruição de infraestruturas".

"O ataque de hoje também serve como um lembrete muito claro a todos os nossos parceiros de que apoiar a defesa aérea da Ucrânia é uma prioridade permanente", afirmou Zelensky na mensagem partilhadas nas redes sociais, onde partilhou um vídeo que mostra a destruição causada pela ofensiva russa.

Autoridades pedem a residentes para saírem de Kiev por falta de aquecimento

O abastecimento de água e eletricidade foi interrompido em partes da capital como resultado da agressão, disse o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko.

O autarca instou mesmo os habitantes a abandonarem temporariamente a capital ucraniana, onde metade dos edifícios residenciais estão sem aquecimento após os ataques russos da madrugada, numa altura em que são registadas temperaturas negativas na capital ucraniana de -8º Celsius.

Klitschko revelou que “metade dos edifícios residenciais de Kiev — quase 6.000 — estão atualmente sem aquecimento”.

"Apelo aos residentes da capital que tenham a possibilidade de abandonar temporariamente a cidade, para locais com fontes alternativas de energia e aquecimento, que o façam".

Rússia usa sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik como "resposta" ao "ataque de Kiev" contra a residência de Putin

O ministério da Defesa da Rússia anunciou, entretanto, que as Forças Armadas da Federação Russa atacaram, de madrugada, “alvos estratégicos” na Ucrânia, recorrendo ao sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik, lê-se em comunicado oficial.

O texto descreve um "ataque maciço com armas de alta precisão e de longo alcance, incluindo o sistema de mísseis terra-ar Oreshnik, de alcance intermédio", além de drones.

O número de unidades balísticas utilizadas não foi especificado, mas foi justificado como " resposta ao ataque terrorista perpetrado pelo regime de Kiev" contra a residência do presidente russo, Vladimir Putin, no final de dezembro.

Ataque "maciço" russo a Kiev faz quatro mortos. Moscovo usa sistema de mísseis hipersónicos Oreshnik
Rússia acusa Ucrânia de ter tentado atacar residência de Putin. Zelensky fala em "completa invenção"

As autoridades russas comunicaram que os ataques incidiram sobre fábricas de drones "usadas para o ataque terrorista" e a infraestrutura energética ucraniana, mas também sem especificar as localizações.

As Forças Armadas da Ucrânia temiam que a Rússia voltasse a usar o sistema de mísseis Oreshnik, os quais podem atingir velocidades de Mach10, ou seja mais de 12.000 km/h.

Esta arma é capaz de atingir alvos a milhares de quilómetros de distância, com ogivas nucleares, e foi usado pela primeira vez com ogivas convencionais em novembro de 2024 contra a cidade de Dnipro (centro-leste).

Além da capital ucraniana, a Rússia também atingiu infraestruturas críticas na cidade ocidental de Lviv, usando um míssil balístico não identificado, disse o presidente da câmara, Andriy Sadoviy.

O Comando Ocidental da Força Aérea da Ucrânia adiantou mais tarde que o míssil viajou a uma velocidade de 13 mil quilómetros por hora e que o tipo específico de foguete estava a ser investigado.

Ataque ucraniano deixa mais de 500 mil pessoas sem eletricidade

Entretanto, na Rússia, mais de 500 mil pessoas encontram-se sem eletricidade após um ataque ucraniano na região russa de Belgorod (oeste), anunciou hoje o governador local, Viatcheslav Gladkov.

"Às 06:00 da manhã de hoje [03:00 em Lisboa], 556 mil pessoas de seis municípios estão sem eletricidade e praticamente o mesmo número não tem aquecimento", indicou o responsável na plataforma de mensagens Telegram.

Duzentas mil pessoas encontram-se também sem água e saneamento.

A região fica próxima à cidade ucraniana de Kharkiv.

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