Vista área da central antes do ataque.
Vista área da central antes do ataque.Foto: Câmara Municipal de Zawiya.

Ataque com drone provoca fuga de água na maior central de dessalinização do oeste da Líbia

O ataque, que não causou vítimas, ocorreu apenas 24 horas depois de a refinaria de Zawiya ter sido atingida também por um drone.
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A central de dessalinização de Zawiya, a maior do oeste da Líbia, foi atacada hoje com um drone de origem desconhecida, provocando uma fuga de água e danos nas condutas de transporte, informou a empresa nas redes sociais.

O ataque, que não causou vítimas, ocorreu apenas 24 horas depois de a refinaria de Zawiya – a maior do país, com uma capacidade de produção de 120 mil barris por dia – ter sido atingida também por um drone, segundo informou sábado a empresa estatal num comunicado.

Os dois ataques ocorrem num contexto de confrontos constantes entre milícias do oeste do país dividido – próximas do Governo de Unidade Nacional (GUN), liderado por Abdelhamid Dbeiba –, sobretudo em zonas próximas da capital, Trípoli, sendo Zawiya um dos principais alvos.

Os membros do Conselho Municipal da localidade renovaram hoje o apelo feito na véspera, após o ataque à refinaria, para a abertura de uma investigação urgente “para identificar os autores morais e os diretamente envolvidos nos acontecimentos”.

“Exigimos a abertura de uma investigação urgente sobre as circunstâncias do incidente, a identificação da origem do drone e da entidade responsável pela sua operação, bem como o apuramento de todas as circunstâncias e pormenores relacionados com o sucedido”, afirmaram após o ataque à refinaria, pedido que reiteraram depois do ataque à central de dessalinização.

Apelaram também a que seja determinada a responsabilidade legal por ambos os acontecimentos e que sejam entregues às autoridades judiciais todas as pessoas cuja participação seja comprovada de forma direta ou indireta, sem exceções ou imunidades.

Os membros do Conselho Municipal da localidade solicitaram ainda a adoção de medidas de segurança para proteger as instalações petrolíferas e as infraestruturas vitais situadas no município de Zawiya, uma zona particularmente afetada por combates entre milícias e confrontos entre grupos criminosos.

Neste sentido, responsabilizaram as autoridades do GUN pela proteção das instalações públicas e instaram-nas a não permitir que se transformem em zonas abertas a qualquer manifestação armada, uma situação que prejudica os seus trabalhadores e as zonas residenciais circundantes.

A Líbia vive num estado permanente de alerta, tanto devido aos confrontos entre milícias como às manifestações populares, sobretudo no oeste, onde os participantes exigem o fim da divisão e da prolongada crise que afeta o país há mais de uma década.

Desde 2014, após o fracasso das eleições legislativas, a Líbia encontra-se mergulhada numa profunda crise, com episódios recorrentes de violência e uma divisão institucional entre o GUN, que controla o oeste, e o leste, tutelado pelo marechal Khalifa Haftar.

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