A Arábia Saudita lançou vários ataques não divulgados contra o Irão em retaliação pelas ofensivas de Teerão de que foi alvo, disseram à Reuters dois responsáveis ocidentais informados sobre o assunto e dois responsáveis iranianos. Na mesma linha, o Wall Street Journal noticiou que os Emirados Árabes Unidos fizeram o mesmo, nomeadamente um ataque à ilha iraniana de Lavan pouco antes do anúncio do cessar-fogo de 7 de abril. No dia dos ataques a Lavan, a emissora estatal iraniana acusou Abu Dhabi e o Kuwait de estarem por detrás destes. Os ataques sauditas noticiados pela Reuters marcam a primeira vez que se sabe que Riade levou a cabo uma ação militar direta em solo iraniano - terão acontecido em final de março e sido lançados pela Força Aérea no reino, não sendo conhecidos os alvos.A juntar a estas ações, o Kuwait já havia afirmado ter capturado pelo menos quatro membros da Guarda Revolucionária Islâmica, quando tentavam realizar “ataques terroristas” na ilha de Bubiyan, a maior ilha do arquipélago costeiro do Kuwait.De recordar que o Irão, em resposta à ofensiva israelo-norte-americana, atingiu todos os seis países do Conselho de Cooperação do Golfo - Arábia Saudita, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã - com mísseis e drones, atacando as bases militares dos EUA nestes países, mas também locais civis, aeroportos e infraestruturas petrolíferas, além de fechar o Estreito de Ormuz.De acordo com a Reuters, Teerão foi informado por Riade sobre os ataques, a que se seguiu um intenso diálogo diplomático e ameaças sauditas de novas retaliações, levando a um entendimento entre os dois países para conter uma escalada. Abu Dhabi, por sua vez, já havia declarado publicamente que tinha o direito de responder a ataques hostis de forma defensiva, mas tem negado a existência de qualquer intervenção ativa. Num sinal de que os Emirados poderão estar a preparar-se para uma nova ofensiva de Teerão, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, revelou que Telavive enviou para Abu Dhabi uma bateria do Cúpula de Ferro e pessoal para operar este sistema de defesa aérea. De notar que esta é a primeira vez que o Cúpula de Ferro é enviado para um país que não Israel ou os EUA, e é a primeira confirmação pública da sua existência nos Emirados.Com os Estados Unidos e o Irão a parecerem cada vez mais afastados de um potencial acordo, Donald Trump mostrou não estar preocupado com o tempo, garantindo que a crescente pressão financeira imposta aos norte-americanos pela guerra “nem um pouco” o motiva a fechar um acordo de paz com Teerão.“A única coisa que importa quando falo sobre o Irão é que não podem ter uma arma nuclear”, disse o presidente dos Estados Unidos à saída da Casa Branca, antes de viajar para a China. “Não penso na situação financeira dos americanos. Não penso em ninguém. Penso numa coisa: não podemos deixar que o Irão tenha uma arma nuclear”.Estas declarações de Trump foram feitas depois dos norte-americanos terem recebido más notícias no que diz respeito ao custo de vida - dados oficiais mostraram que os preços nos Estados Unidos subiram 3,8% em abril, o ritmo mais acelerado desde 2023, um aumento causado em grande parte pelos custos de energia, que têm vindo a disparar desde o início da guerra contra o Irão, a 28 de fevereiro.A União Europeia também voltou a fazer contas ao prejuízo causado por este conflito, com o executivo de Ursula von der Leyen a considerar esta quarta-feira que a atual crise energética é “pior do que outras” anteriores pela dependência de combustíveis fósseis. “Desde o início do conflito no Médio Oriente, pagámos mais 35 mil milhões de euros pela nossa energia do que o habitual. Não recebemos mais energia - zero -, mas pagámos mais 35 mil milhões e, portanto, isto não é realmente uma crise energética, é uma crise dos combustíveis fósseis, que nos mostra o que acontece quando se depende de combustíveis fósseis”, disse o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen..EUA já gastaram 25 mil milhões na guerra que está a atirar popularidade de Trump para mínimos históricos.Relatório da CIA mina planos de bloqueio aos portos iranianos