América de A a Z, pistas para entender a alma de um país que fascina o mundo

América de A a Z, pistas para entender a alma de um país que fascina o mundo

Influência dos EUA resulta do poder do Pentágono e do peso do dólar, mas também da magia dos óscares de Hollywood e do prestígio das universidades da Ivy League. País fundado por George Washington, e hoje presidido por Donald Trump, é igualmente o do Homem na Lua.
Publicado a

Ação de Graças. Em vésperas do mais recente Thanksgiving, ou Dia de Ação de graças, Donald Trump cumpriu a tradição e tal como outros presidentes perdoou um peru. Aliás, perdoou dois. Um gesto no jardim da Casa Branca sempre muito aplaudido, mas que não impede que no jantar da quarta quinta-feira de novembro de cada ano (em 2026, será no dia 26) o peru seja servido à mesa das famílias americanas, numa festa que a tradição popular faz remontar a 1621 quando um grupo de peregrinos, colonos ingleses, se juntou em Plymouth a índios wampanoag para agradecer as colheitas. Só mais tarde, se começou a comer peru no Dia de Ação de Graças, tal como batata doce.

Basquetebol. É um desporto inventado nos Estados Unidos no século XIX e de tal forma considerado americano que foi traumática a perda da medalha de ouro para a União Soviética nos Jogos Olímpicos de 1972. Na NBA, as grandes equipas históricas são os Los Angeles Lakers e os Boston Celtics, mas o último campeão foram os New York Knicks. A paixão pelo basquetebol, basebol, atletismo, futebol americano (e cada vez mais também pelo futebol) mostra uma sociedade amante do desporto e muito competitiva: os Estados Unidos são de longe o país com mais medalhas olímpicas.

Califórnia. Se fosse um país seria a quarta maior economia mundial. É sede de empresas como a Apple, a Meta, a Alphabet, a Tesla ou a Anthropic. A Califórnia, conquistada ao México em meados do século XIX, é o mais populoso dos 50 estados, com 40 milhões de habitantes, e em área só fica atrás do Alasca e do Texas. Los Angeles e São Francisco, fundadas pelos espanhóis, são as cidades mais emblemáticas. João Rodrigues Cabrilho, navegador português ao serviço de Espanha, foi o primeiro europeu a visitá-la.

Dólar. A maioria dos negócios internacionais no mundo são feitas com a moeda americana, e a maioria das reservas de divisas também. É uma das armas da supremacia americana, a maior economia. Nove dos dez homens mais ricos do mundo são cidadãos americanos (mesmo que, como Elon Musk ou Sergei Brin, tenham nascido noutro país) e a dimensão das fortunas, tal como dos restantes bilionários da lista da Forbes, é estimada em dólares.

Ellis Island. Pequena ilha no porto de Nova Iorque, tornou-se sinónimo de porta de entrada nos Estados Unidos, mesmo que não fosse a única (chineses e japoneses, emigraram pela costa do Pacífico). Hoje é um museu, mas milhões de americanos têm antepassados que por lá passaram. Alguns dos nomes célebres que entraram nos Estados Unidos via Ellis Island são Frank Capra, Arshile Gorky e Johnny Weissmuller. A América continua a ser um íman para o mundo e calcula-se que 15% dos 340 milhões de habitantes nasceram no estrangeiro.

França. O marquês de Lafayette, que combateu ao lado dos rebeldes americanos, simboliza o apoio da França à independência dos Estados Unidos, uma forma de enfraquecer a rival Inglaterra. Um século depois, a França ofereceu a Estátua da Liberdade, para recordar essa aliança. No século XX, em ambas as guerras mundiais, os americanos agradeceram, com os soldados a atravessar o Atlântico e a libertarem os franceses.

Gettysburg. Nome de Batalha decisiva da Guerra Civil Americana, é também o nome de um breve mas marcante discurso de Abraham Lincoln, igualmente em 1863. Em 271 palavras, que demoraram dois minutos a dizer, o presidente que aboliu a escravatura falou da necessidade de salvar a União e de concretizar o ideal de que todos os homens nascem iguais.

Hispânicos. A mais antiga cidade dos Estados Unidos é St. Augustine, na Florida, e foi fundada em 1565 pelos espanhóis e quase todo o sul do país chegou a ser território espanhol. Hoje os hispânicos (ou latinos) são uns 20% da população, com origens tão diversificadas como Porto Rico, México, República Dominicana ou Cuba. Um dos políticos mais famosos, o secretário de Estado Marc Rubio, é filho de cubanos. A língua espanhola está omnipresente.

Ivy League. Sinónimo de alta qualidade académica, é o nome de um grupo de universidades que incluem Harvard, Yale ou Princeton. Mas a qualidade das universidades americanas transcende em muito a Ivy League. Nas classificações internacionais, como o ranking de Xangai, oito das dez melhores universidades do mundo costumam ser americanas. Harvard detém o recorde de prémios Nobel.

Jefferson. Autor da Declaração de Independência, a 4 de julho de 1776, foi também o terceiro presidente dos Estados Unidos. Simboliza, com George Washington e John Adams, segundo e terceiro presidentes, e alguns outros, os chamados Pais Fundadores. Era um grupo de homens geniais, que se revoltaram contra as injustiças do rei Jorge III. Fazem parte do imaginário americano de tal modo que Alexander Hamilton, um Pai Fundador que costumava andar às avessas com Jefferson por causa do centralismo versus o federalismo, deu origem a um musical de sucesso da Broadway.

Kennedy. Sorridente, herdeiro de uma família da burguesia de Boston de origem irlandesa, John Kennedy, ou JFK, é até hoje o mais jovem presidente a ser eleito nos Estados Unidos. Primeiro católico na Casa Branca (num país de matriz protestante mas que hoje tem um papa), foi assassinado ao fim de pouco mais de mil dias, em novembro de 1963. É recordado pela Crise dos Mísseis de Cuba, momento crítico da Guerra Fria, mas um dos seus legados foi a promessa de pôr um homem na Lua até final da década. Neil Armstrong foi esse homem, em 20 de julho de 1969, já durante a presidência de Richard Nixon.

Louisiana Purchase. Ao comprar a Napoleão a Luisiana em 1803, Thomas Jefferson duplicou os Estados Unidos da época: foi muito mais do que o estado da Luisiana. Um território imenso que incluía o Mississipi e afluentes. Depois, por novas aquisições (Alasca), através de conquista (Califórnia e outras porções do México) ou anexações (Havai) o país nascido no litoral atlântico estendeu-se até ao Pacífico. Um jornalista falou de “destino manifesto” e a conquista do oeste tornou-se um ideal.

Martin Luther King. Líder do movimento dos direitos civis, o pastor batista nascido na Geórgia foi assassinado em 1968, mas a sua luta conseguira o fim da segregação racial. Um século depois da abolição da escravatura por Abraham Lincoln, o presidente Lyndon Johnson fez votar em várias fases a legislação que acabou com a discriminação dos negros no sul dos Estados Unidos. A eleição de Barack Obama para presidente em 2008 foi, depois, um marco na história de uma nação que nasceu sob o símbolo da liberdade, mas viu desde o início o norte abolicionista (o Massachussets tinha ilegalizado a escravatura logo em 1783) aceitar um compromisso com o sul esclavagista para manter a unidade do novo país. Hoje, a influência dos mais de 40 milhões de afro-americanos é evidente na cultura e sociedade americanas, basta pensar, por exemplo, no jazz e nos blues.

Nova Iorque. A capital dos Estados Unidos é Washington, mas a mais emblemática das cidades é Nova Iorque, uma espécie de capital do mundo, que até acolhe a sede das Nações Unidas. Do Empire State Building à Estátua da Liberdade, de Central Park a Times Square, da Broadway ao Harlem, de Wall Street à Ponte de Brooklyn, são inúmeros os ícones da cidade fundada no século XVII pelos holandeses, que a baptizaram de Nova Amesterdão. Verdadeiro melting pot, é, por exemplo, a segunda cidade do mundo com mais judeus, depois de Telavive.

Óscares. Começaram a ser atribuídos em 1929, mas o cinema é ainda mais antigo em Hollywood, o subúrbio de Los Angeles que acolhe estúdios como os da Universal, Warner, Paramount ou Disney. China ou Índia até podem produzir hoje anualmente mais filmes do que os Estados Unidos, mas em termos de softpower o cinema americano continua imbatível, até pela vantagem que é a língua inglesa, que se nota também no sucesso global de músicos como Madonna ou mais recentemente Taylor Swift. Mesmo em termos de literatura, se o critério for o Nobel, só a França tem mais premiados, e entre os americanos contam-se nomes como Ernest Hemingway, John Steinbeck ou Toni Morrison.

Pentágono. O impressionante edifício na Virgínia, mesmo junto a Washington mas do outro lado do rio Potomac, simboliza o poderio militar dos Estados Unidos, que tem o maior orçamento de Defesa, bases militares em aliados tão distintos como Portugal, Alemanha, Djibuti, Arábia Saudita, Coreia do Sul ou Japão, e um arsenal nuclear que só é comparável ao da Rússia. Hoje o grande rival é a China, que já tem o segundo maior orçamento militar, mas, note-se, só conta três porta-aviões contra 11 americanos.

Queens. É um bairro nova-iorquino batizado em honra de uma portuguesa, Catarina de Bragança, que foi rainha de Inglaterra. É igualmente onde nasceu Donald Trump, 47.º presidente dos Estados Unidos (também foi o 45.º) e o bairro onde vive Peter Parker, o Homem-Aranha, herói da BD.

Roosevelt. Apelido de origem holandesa de dois presidentes. O primeiro, Theodore, destacou-se como voluntário na Guerra Hispano-Americana de 1898 e combateu em Cuba. Eleito vice-presidente, tornou-se presidente em 1901 depois do assassínio de William McKinley. o chamado Corolário Roosevelt da Doutrina Monroe descreve a sua política para a América Latina. O segundo dos Roosevelt, Franklyn, foi eleito quatro vezes (1932, 1936, 1940 e 1944) e ficou para a História como o arquiteto do New Deal, que tirou a América da Grande Depressão, e como o presidente que liderou o país na Segunda Guerra Mundial (morreu em abril de 1945, e foi Harry Truman que decidiu a bomba atómica sobre Hiroxima). Uma emenda constitucional proíbe hoje mais de dois mandatos presidenciais.

Sioux. Uma das tribos índias, cuja mítica vitória na Batalha de Little Big Horn, não impediu que fosse forçada a viver em reservas. Incapazes de resistir ao avanço da colonização europeia, cuja fase final inspirou muitos filmes de índios versus cowboys, os chamados nativo-americanos vivem sobretudo no oeste e serão cinco a nove milhões, incluindo os povos autóctones do Alasca, os inuit. A maioria dos nativo-americanos não vive hoje em reservas.

Texas. Separou-se do México em 1836 e chegou durante uma década a ser um país, até integrar os Estados Unidos. Hoje é o estado que lidera na produção de petróleo e gás.

União Soviética. A superpotência comunista desagregou-se em 1991, mas foi a era da Guerra Fria que levou à criação da NATO e também motivou a corrida espacial - astronautas americanos contra cosmonautas soviéticos, com o primeiro homem no espaço a ser o russo Yuri Gagarin, mas o primeiro a pisar a Lua a ser Neil Armstrong (os 12 homens na Lua foram todos americanos).

Virgínia. Foi uma das 13 colónias inglesas que formaram os Estados Unidos, reconhecidos pela Inglaterra num tratado de 1783. Deu ao novo país quatro dos seus cinco primeiros presidentes. A sua capital, Richmond, foi durante a Guerra Civil a capital da Confederação.

Washington. Nome da capital, onde fica a Casa Branca, e do general que liderou a rebelião contra Jorge III, George Washington foi também o primeiro dos 45 presidentes dos Estados Unidos até hoje (Trump é o 47.º por contar duas vezes, tal como Grover Cleveland, 22.º e 24.º). Quis dar o exemplo aos sucessores saindo ao fim de dois mandatos, para mostrar a diferença entre a república e uma monarquia.

X. Simboliza o voto e a tradição democrática nos Estados Unidos, onde desde meados do século XIX dois grandes partidos, o Republicano e o Democrata, disputam o poder, nomeadamente o Congresso e a Casa Branca.

Yellow Stone. Situado em território do Wyoming (e um pouco no Montana e no Idaho), este parque representa bem pela exuberância das paisagens naturais o outro lado dos vastos Estados Unidos, muitas vezes imaginados como o país das cidades com arranha-céus.

Zero. A Zona de Impacto, ou Ground Zero, dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gémeas contém hoje um memorial e voltou a ter arranha-céus, prova de resiliência de Nova Iorque e da América. Morreram 3000 pessoas no atentado da Al-Qaeda.

América de A a Z, pistas para entender a alma de um país que fascina o mundo
Sob a batuta de Trump, EUA festejam divididos os 250 anos da independência
América de A a Z, pistas para entender a alma de um país que fascina o mundo
“Na América todos acreditam na busca da felicidade, mas de forma frenética, pelo que é difícil desfrutar”
América de A a Z, pistas para entender a alma de um país que fascina o mundo
“Se me perguntarem qual a coisa mais importante que permitiu aos EUA prosperar, eu diria a Constituição”
Diário de Notícias
www.dn.pt